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Investigação do FBI inclui escolhas de Rússia e Catar

Ministro catari acredita que ação é 'racista e preconceituosa'

Jamil Chade, Correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2015 | 16h04

As investigações do FBI sobre o futebol são ampliadas e agora vão também examinar a forma pela qual a Fifa escolheu a Rússia e o Catar para sediar as Copas de 2018 e 2022, respectivamente. O anúncio foi feito em Nova Iorque, no mesmo momento que até mesmo a Bolsa em Doha sofreu uma queda e as dúvidas passaram a pairar sobre a manutenção desses eventos depois da renúncia de Joseph Blatter, presidente da Fifa. 

Em 2010, a Fifa escolheu os dois países para receber os Mundiais. Mas imediatamente após a decisão, escândalos de corrupção e alegações de compra de votos passaram a marcar o processo de preparação. A entidade chegou a realizar um informe interno sobre o caso. Mas concluiu que não existia base para cancelar a votação.

Nem a Justiça americana e nem a Suíça acreditam nessa versão. Berna já interrogou dez cartolas diferentes nesta semana sobre a forma pela qual ocorreu a eleição. Agora, o FBI seguirá o mesmo processo e também incluirá os assunto em sua investigação que já resultou em nove prisões, entre elas a de José Maria Marin. Em 2010, porém, quem votou pelo Catar foi o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira. 

A resposta tanto do Catar quanto da Rússia foi a de negar qualquer envolvimento. No caso do Ministro de Relações Exteriores do Catar, Khaled al-Attiyah, a opção foi por denunciar um "racismo" por parte de Europa e EUA. 

"É muito difícil para algumas pessoas aceitar que o campeonato será realizado num país árabe e islâmico, como se um Estado árabe não pudesse ter esse direito", disse. "Acredito que essa campanha ultrajante contra o Catar seja por preconceito e racismo."

Moscou também negou qualquer ligação e garantiu que não existe o risco de perder o evento. "Nossa cooperação com a Fifa continua, assim como as preparações para a Copa do Mundo de 2018", disse Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin.

Mas a ausência de Blatter pode enfraquecer os dois países. O cartola era um dos maiores defensores do Mundial da Rússia em 2018 e Catar em 2022 e chegou a comprar a versão de que a campanha contra ele era uma forma de o Ocidente derrubar a Copa promovida pelo Kremlin. Vladimir Putin passou a ser um de seus aliados, denunciando os EUA. 

Agora, sem Blatter, a pressão por uma investigação sobre a compra de votos da Rússia deve aumentar. O Ministério Público da Suíça já apura o caso e deve interrogar cerca de dez cartolas nas próximas semanas. 

Jornais ingleses ainda revelaram que dirigentes esportivos do Catar estão sendo orientados a não viajar aos EUA, sob o risco de serem interrogados ou mesmo presos. Apenas aqueles com imunidade diplomática estão circulando. 

O governo do Catar e cartolas da região rapidamente reagiram hoje, alegando que não existe motivo para se preocupar. Para o presidente da Federação do Catar, Hamad Bin Khalifa bin Ahmed Al Thani, não existe risco de o país perder a Copa. "Já fomos inocentados", disse, em relação à investigação interna realizada pela Fifa. 


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