Paulo Giandalia/Estadão
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Investigado, Ricardo Teixeira acusa J. Hawilla de traição

Ex-presidente da CBF e dono da Traffic foram aliados durante anos

O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2015 | 13h08

Investigado por um suposto recebimento de propina em acordos comerciais para a exploração da Copa do Brasil, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que está no Rio, se disse vítima de traição e negou as acusações que sofre. Em entrevista concedida ao Terra, Teixeira acusou um de seus maiores e mais antigos aliados no mundo do futebol de suposta 'deslealdade': o empresário J. Hawilla, dono da Traffic Brasil.

Hawilla fez um acordo de colaboração com a Justiça dos Estados Unidos e confessou crimes como extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça. Ele ainda foi obrigado a devolver R$ 473 milhões arrecadados de forma ilegal e denunciou antigos companheiros, como Ricardo Teixeira, José Maria Marin (ex-presidente da CBF, atualmente preso na Suíça) e Marco Polo Del Nero (presidente da CNF), em troca de punição mais branda.

Na entrevista, Teixeira, porém, garante que é inocente: "O dono da Traffic do Brasil mentiu deslavadamente. Disse, por exemplo, que eu fui aos Estados Unidos negociar um novo contrato para a Copa do Brasil em 2011. Basta consultar meu passaporte para ver se existe essa viagem, de fato. Ele disse que eu recebi propina por essa transação. Mentira. Cadê o dinheiro? Foi depositado em que banco, em que agência? Ele age por pura vingança", declarou.

A suposta vingança, segundo o ex-presidente da CBF, seria por conta da perda de direitos comerciais da Copa América por parte da Traffic, além da Copa do Brasil e parte das Eliminatórias para a Copa do Mundo. Em 2011, a Conmebol passou a questionar os valores pagos pela empresa de marketing esportivo para comercializar o torneio continental de seleções, que giravam em torno de 18 milhões de dólares (cerca de R$ 60 milhões).

"Com medo de perder aquela competição, a Traffic então ofereceu US$ 40 milhões. Isso despertou ainda mais a ira do comitê. O sentimento foi o seguinte: se a empresa propõe subir de 18 para 40 é porque está lucrando em exorbitância e estamos todos sendo enganados por muito tempo. Então todos ali decidiram não mais fechar contrato com a Traffic", afirmou Ricardo Teixeira.

O advogado de Hawilla, José Luis Oliveira Lima, respondeu às acusações do antigo parceiro de seu cliente: "J. Hawilla afirma que as declarações do Sr. Ricardo Teixeira não correspondem à verdade. Hawilla, porém, apoia as investigações em curso nos Estados Unidos e, por conta de tal processo, está impedido de se manifestar publicamente neste momento", afirmou.

Ricardo Teixeira ainda garante que tentou tirar os direitos comerciais da Copa do Brasil das mãos da Traffic em 2011: "O Carlos Eugenio (Lopes, diretor jurídico da CBF) resumindo aqui, disse que eu não tinha um argumento referente à Copa do Brasil para romper com a Traffic. Que eu estava baseado num problema relacionado à Copa América. Pois bem, mantivemos em vigor o acordo até 2015, mas em 8 de dezembro de 2011 eu firmei contrato com a outra empresa nacional de referência no marketing esportivo, a Klefer (para explorar comercialmente a Copa do Brasil de 2015 a 2022)"

A Klefer, de Kléber Leite, porém, também é citada no processo da Justiça dos Estados Unidos que investiga a corrupção na Fifa. Ricardo Teixeira deixou o comando da CBF em março de 2012, após 23 anos à frente da entidade, e mudou-se para Boca Raton, na Flórida. Antes disso, deixou José Maria Marin como seu sucessor. Marin está preso na Suíça como réu do processo de corrupção da Fifa. Teixeira e Del Nero estão entre os investigados.

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