Fabian Marelli/ AP
Fabian Marelli/ AP

Investigado, médico de Maradona se defende das acusações: 'Fiz o melhor que pude'

Neste domingo, foram feitas buscas no consultório e na residência de Leopoldo Luque

Redação, Estadão Conteúdo

29 de novembro de 2020 | 17h00

O médico particular de Diego Maradona, Leopoldo Luque, foi incluído em investigação por homicídio culposo relacionado à morte do ídolo argentino. Foram realizadas buscas no consultório e na residência do neurologista, que se defendeu das acusações. De acordo a imprensa argentina, a medida não envolve um pedido de ação ou medida restritiva de liberdade, mas sim uma notificação da abertura de inquérito sobre a eventual prática do crime.

Luque disse aos repórteres após as buscas que entregou aos investigadores todos os registros de seu tratamento ao paciente Maradona, bem como computadores, discos rígidos e telefones celulares. Chorando, ele insistiu que não teve culpa na morte do astro argentino, que ocorreu na quarta-feira, dia 25, após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

"Eu sei o que eu fiz. Eu sei como fiz isso. Tenho certeza absoluta de que fiz o melhor por Diego, o melhor que pude", afirmou o neurologista, que assegurou que não era o médico-chefe, mas parte da equipe médica que cuidou de Maradona. "Não há erro médico, nem há julgamento. Maradona teve um ataque cardíaco. É a coisa mais comum no mundo morrer assim. É um fato que pode acontecer. Sempre foi feito todo o possível para diminuir esse risco, mas não dá para bloqueá-lo", acrescentou.

Maradona havia sofrido uma série de problemas de saúde, alguns devido a excessos de drogas e álcool. Ele teria estado à beira da morte duas vezes, em 2000 e 2004. Luque disse que o ídolo argentino era um paciente difícil e havia expulsado o médico de sua casa várias vezes. "Diego fez o que queria. Ele precisava de ajuda. Não havia maneira de chegar até ele. Ele me mandava embora, e depois eu voltava. Tudo o que fiz foi de mais, não de menos", salientou o médico.

Esta medida da justiça argentina tem como base os depoimentos de Dalma, Gianinna e Jana, filhas de Maradona, que demonstraram descontentamento com o tratamento que foi prestado na casa do jogador em Tigre, na região da Grande Buenos Aires, depois de ele deixar o hospital após cirurgia na cabeça.

Como parte das "tarefas investigativas", considerou-se necessário "solicitar buscas na casa e no consultório do médico Leopoldo Luque", disse em comunicado o procurador-geral de San Isidro, em Buenos Aires. "Uma contínua investigação e apuração de provas, com alguns testemunhos, inclusive parentes diretos", seguiu a nota.

Luque mostrou-se conformado com a investigação, mas reforçou que fez de tudo por Maradona. "O que fiz pelo Diego até a última fase legal, posso mostrar. Ainda não estou informado sobre as acusações. Vieram de um jeito que ninguém esperava. Isso depois de trabalhar como fiz para o Diego. Abrimos as portas e demos a eles todas as informações de que precisavam", ressaltou.

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