Irmãos Luxemburgo duelam em Minas

O confronto entre Mamoré e Cruzeiro, no próximo sábado (21), em Patos de Minas, colocará em lados opostos dois parentes que, embora exerçam a mesma função, guardam poucas semelhanças no comportamento e no currículo. O badalado técnico Vanderlei Luxemburgo enfrentará pela primeira vez seu irmão mais velho, o modesto e desconhecido Valdonier Luxemburgo da Silva, 53 anos, que assumiu o time do interior mineiro há duas semanas. "Pery" - apelido que Valdonier herdou do já falecido pai, Sebastião da Silva - Luxemburgo nunca jogou futebol profissional e iniciou a carreira quase que por acaso, há oito anos.Em 1996, quando Vanderlei já era um técnico consagrado, o irmão comandava sua gráfica em Vitória, no Espírito Santo, quando foi convidado pelo então presidente do Vitória F.C. para assumir as categorias de base do clube. Pery, que costumava treinar times amadores da cidade, realizou cursos para formação de técnicos antes do novo desafio. Depois de treinar os juniores, assumiu o profissional da agremiação capixaba e em 1999, teve uma rápida passagem pelo Taquaritinga (SP). Foi só então que Vanderlei, surpreso, descobriu que o irmão tinha abraçado a carreira de treinador.Mas a trajetória no interior paulista foi curta e Pery deixou o comando do time sob ataques do então presidente do Taquaritinga, Valdovir Luiz Bussadori. "Fora de campo, o Pery é excelente, não tem pessoa melhor, porém, dentro, ele não conhece nada", disse, conforme foi noticiado na época.Críticas que não chegaram a abalar sua disposição de continuar na carreira. Há cerca de dois meses ele voltou dos Estados Unidos, onde passou três anos treinando o Phantom, um time de New Hampshire.De volta ao Brasil, Pery decidiu fazer um estágio com o irmão na Toca da Raposa II. "Não estava fazendo nada mesmo", observa. Dias depois, o técnico Luciano Paschoal deixou o Mamoré após perder as duas primeiras partidas no Campeonato Mineiro, para Valério e Uberaba.O técnico do Cruzeiro não teve dúvidas e ligou para os dirigentes do clube de Patos de Minas indicando o irmão. "O Luxemburgo foi o nosso avalista", conta Sandro Schacht, diretor de futebol do Mamoré, que classifica a contratação de Pery como uma "jogada". "A jogada foi muito boa. O Mamoré ganhou a mídia nacional e o torcedor voltou a campo", comemora o dirigente, que em 2000 também apostou em um parente de um treinador consagrado - Renê Santana, filho de Telê Santana, que comandou o time de Patos de Minas na conquista do Módulo II do Mineiro.Estilos - Apesar de seguir os passos do irmão, Pery é dono de um estilo diferente do consagrado por Vanderlei, diz Schacht. "Ele é bem calmo, tranqüilo, e por enquanto dirige o time de tênis e camiseta", brinca o dirigente, referindo-se ao terno e grava, indumentária preferida pelo técnico do Cruzeiro nas partidas.O próprio treinador do Mamoré se considera dono de um perfil diferente, seja na vida pessoal como no trabalho. No trato com os atletas, por exemplo, diz que é mais "maleável" que Vanderlei - treinador considerado "durão". "A gente tem de ser enérgico na hora certa, mas não gosto de jogador que não gosta de trabalhar", ressalva Pery, que também não se incomoda de dar entrevistas, outra diferença em relação ao irmão. As opções táticas, porém, são semelhantes. Ambos preferem o tradicional 4-4-2.A diretoria do clube mineiro ficou satisfeita com a postura do novo treinador, que não chegou fazendo exigências. Pery manteve o preparador-físico e evitou que um jovem zagueiro fosse mandado embora porque havia falhado no jogo anterior."Porrada" - Em campo, Schacht também acredita que a "jogada" vem dando certo. Pery estreou vencendo Tupi, então líder do campeonato, em casa. Depois foi derrotado pelo Ipatinga no Ipatingão, e na última partida, venceu a Caldense, em Poços de Caldas. Hoje (15), o Mamoré enfrenta o Social, em Patos de Minas.Todas as expectativas na cidade, no entanto, estão voltadas para o confronto contra o Cruzeiro, que vai lotar o acanhado estádio Waldomiro de Brito. Para o encontro com o irmão Pery sabe, contudo, que não terá moleza do banco de reserva adversário. "Ele já falou que vai fazer de tudo para me dar porrada aqui dentro".

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