Irritado com alguns torcedores, Leão pode pedir demissão

'Aqui é preciso medir as palavras e tomar cuidado porque tem processo até da torcida', diz o treinador santista

Sanches Filho, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2008 | 18h49

Leão está cansado e sua permanência no comando do Santos não depende apenas do comportamento do time no Campeonato Brasileiro. Após a desclassificação na Libertadores, com a vitória por 1 a 0 diante do América, do México - precisava ganhar por uma diferença de três gols para avançar às semifinais - o técnico desabafou e chegou a dar a impressão de que pediria demissão. Um dos motivos do seu descontentamento é a perseguição que sofre de uma facção da torcida, sem que a direção saia em sua defesa. "Chega uma hora que você não sabe o que falar. Aqui é preciso medir as palavras e tomar cuidado porque tem processo até da própria torcida", queixou-se o treinador, que em seguida esclareceu dizendo que se trata de uma intimação policial. "Querem que eu esclareça quem é a turma do Carnaval e quem é honesto ou não. Isso é ridículo. Você é trabalhador do Santos e faz tudo em prol do clube. Não vim aqui para brincar com ninguém. Cansei de escutar todos os tipos de protestos imagináveis. Não estou mais para isso". Leão não esteve no Centro de Treinamentos Rei Pelé na tarde desta sexta-feira. O treino regenerativo foi comandado pelo preparador físico Fernando Leão e pelo auxiliar-técnico Pedro Santilli. Os jogadores fazem um treino leve na manhã deste sábado e a viagem para Belo Horizonte será às 16h. O técnico vai manter o time que começou a partida contra o América para enfrentar o Cruzeiro, neste domingo, no Mineirão, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. O maior trabalho do técnico vai ser motivar o grupo. Betão, o único jogador que se dispôs a dar entrevista nesta sexta, confirmou que o ambiente ainda era de muita tristeza. "Como se costuma dizer, a gente tem apenas um dia para comemorar as grandes vitórias ou para lamentar as derrotas. A verdade é que todos os jogadores estão abatidos. Não se vê nenhum deles sorrindo ou fazendo brincadeiras. Isso é normal porque a derrota ainda está muito recente". Sobre as chances de o time ser campeão brasileiro ou pelo menos conseguir a classificação à Libertadores do ano que vem, o zagueiro acha que ainda é cedo para fazer uma projeção. "Mas a equipe já tem uma cara. O mais difícil foi superar os momentos difíceis do começo do ano", completou. INCONFORMISMOTrinta e cinco foi o número de finalizações do Santos no jogo contra o América, na quinta. Na coletiva de imprensa após a partida, Leão disse que o seu time não teve erros. "Quem errou foi o juiz", afirmou, ignorando a enorme quantidade de oportunidades desperdiçadas pela equipe.

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