Felipe Rau/Estadão
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Antero Greco
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Isto é hora de seleção?!

Brasileirão e Copa do Brasil pegando fogo e times são desfalcados por jogos insossos

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2018 | 04h00

A CBF costuma dar bola fora. Até aí, nenhuma novidade; surpresa só quando ocorre o contrário. Mas há momentos em que se supera nas trapalhadas. Como este, com amistosos da seleção contra EUA, sexyta-feira, e diante de El Salvador, na próxima terça-feira, para marcar a arrancada do trabalho de renovação rumo ao hexa em 2022 ,no Catar, etc. e tal.

Para início de conversa, são testes com dois rivais sem expressão – não vale nem alegar que os norte-americanos ocupam a 22.ª colocação no ranking da Fifa. Essa relação tem mais furos do que a “talba de tiro ao álvaro” da canção do Adorinan Barbosa. Só para constar, a potência salvadorenha ostenta o brilhante 72.º lugar. 

Ou seja, sparrings fracos, para serem surrados ou para nos deixarem passar vergonha. Ao menos pudesse pegar desafiantes de maior peso. Se a base está formada por Tite e colaboradores, não há por que temer ossos duros de roer. Bota a rapaziada para correr desde já e fecha os olhos para críticas.

O local também é fora de propósito: as partidas serão em terras norte-americanas. Vá lá que existe um acordo com o grupo que comprou os direitos de levar a seleção pra cima e pra baixo. Acerto feito em administração anterior e confirmado pelas posteriores, que não são nada além do que a continuação do reinado de certo ex... 

Mas um pouquinho de negociação caberia aqui. No mínimo porque um dos jogos será em 7 de Setembro, uma de nossas principais datas cívicas. A seleção não fez sequer uma apresentação de despedida, antes do Mundial da Rússia, e ficaria bacana agora jogar em casa, em sinal de aproximação. Sei, bobagem escrever isso; a cartolagem não está nem aí para esse detalhe. E pouco se importa com queda de interesse do público, desde que os contratos de patrocínio continuem garantidos. 

A demonstração maior de desdém, no entanto, fica para o atropelo do calendário. As datas estavam previstas no cronograma da Fifa e foram ignoradas por aqui. O mundo civilizado do futebol interrompe suas competições, para que atletas sejam liberados para defender seleções. Menos em nosso solo gentil e calcinado por queimadas em matas e por incêndios em museus. No período dos amistosos, há duas rodadas do Brasileiro e semifinais da Copa do Brasil. Apenas isso, nada mais.

Como a chefia vira o rosto para a realidade, Tite sentiu-se à vontade para chamar jovens que atuam em clubes da Série A. Mesmo com a alegação de que procurou desfalcar o menos possível, fará estragos. Como se encontra do lado de cá do balcão, não se comove com eventuais reclamações dos colegas, as mesmas que fazia tempos atrás. Claro, cada um cuida do próprio umbigo, lema do Brasil de agora. Que recorresse a “europeus”, à legião brasileira do Shakhtar, aos chineses e deixasse os moços daqui para outra ocasião. E ainda querem vender a ideia de que a seleção coloca o coração na ponta das chuteiras, que é a pátria em ação e outras patacoadas?!

MESSI FORA

Por falar em patacoada: a Fifa divulgou os finalistas do prêmio para o melhor do mundo em 2018 sem o nome do astro argentino, desta vez preterido por Cristiano Ronaldo, Modric e Sallah. Os indicados são bons de bola, chamaram a atenção por vários motivos, devem encher-se de orgulho. 

A ausência de Messi só comprova o quanto esse tipo de eleição não altera em nada a história do futebol. Pela qualidade que tem, o craque do Barcelona deveria fazer parte sempre de tais concursos. Ou ganhar um troféu incomparável, único, e não participar mais. Ignorá-lo é uma besteira. Pois, enquanto estiver na ativa, deveria ter cadeira cativa em premiações. Mesmo quando está aquém, ainda é melhor do que os outros. Só Cristiano lhe faz sombra.

 

 

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