Gabriela Biló/Estadão
Renê, filho de Telê, com camisas da seleção de 1982 e do São Paulo de 1992 Gabriela Biló/Estadão

Itabirito, a cidade que se prepara para receber o Museu Telê Santana

Um casarão charmoso e de bela arquitetura na cidade natal do 'Mestre Telê' recebe o acervo do ex-jogador e ex-treinador

Paulo Favero, enviado especial a Itabirito (MG), O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2017 | 17h00

A cidade mineira de Itabirito, a 57 quilômetros de Belo Horizonte, é famosa por duas coisas: o pastel de angu com umbigo de banana e por ser terra natal de Telê Santana, considerado um dos maiores técnicos de futebol da história. E lá, em um casarão charmoso e de bela arquitetura na antiga estação de trem, será construído um museu com todo acervo do mestre Telê.

Seu filho Renê está à frente do projeto e fala do pai com o orgulho que fala de suas raízes. “Esse pastel de angu é uma iguaria daqui de Itabirito. Já me passaram a receita, já tentei fazer, mas não adianta, não fica igual. E tem de comer bem quente, mas com cuidado para não queimar a língua”, conta, sobre a comida que é patrimônio imaterial local.

Ele recebeu a reportagem do Estado em Itabirito e também na casa onde Telê passou os últimos anos de sua vida em Rio Acima (MG). É lá que se encontra parte de tudo que acumulou em sua longa carreira. “O acervo é muito amplo, contendo camisas históricas usadas pelo papai enquanto jogador e comemorativas de suas conquistas enquanto treinador. Também faz parte desse rico acervo: troféus, medalhas, placas comemorativas, fotos e um amplo material audiovisual”, diz Renê.

Telê iniciou sua carreira no Itabirense e seu primeiro vínculo como atleta será exposto no museu. Depois passou por outras equipes até se profissionalizar no Fluminense, onde teve uma longa carreira e se tornou ídolo. “Eu tenho a camisa que ele usou na final do Campeonato Carioca de 1951. Foi a única vez na vida em que ele atuou com o número 9 nas costas. Quando eu era jovem, cheguei a ir pular carnaval com ela, sem me dar conta de que era uma raridade”, brinca Renê.

Naquela decisão do Carioca de 1951 (o jogo foi em 20 de janeiro de 1952), Telê atuou fora de sua posição por causa da ausência de Carlyle, artilheiro do time no torneio. O rapaz tinha 20 anos, era ponta, mas assumiu a responsabilidade e fez os dois gols da vitória sobre o Bangu – que deram o título estadual para o Flu. Não demorou para cair nas graças da torcida e ter uma trajetória vitoriosa no clube.

Após pendurar as chuteiras, Telê sabia que não conseguiria ficar longe do futebol. Decidiu se tornar treinador. Começou no próprio Fluminense, na base e no profissional, e depois foi campeão brasileiro comandando o Atlético-MG, em 1971, na primeira edição do torneio. Dario foi o artilheiro, com 15 gols. A medalha da premiação de campeão nacional faz parte do acervo, que conta com dezenas de outras medalhas e condecorações ao mestre. Telê tornou-se referência na profissão porque sempre acreditou no jogo bem jogado, ganhou títulos e fez da seleção de 1982 um marco no futebol mundial, apesar da eliminação diante da Itália. 

Como técnico, comandou Botafogo, Grêmio, Palmeiras, Flamengo e Al-Ahli, da Arábia Saudita. Dois trabalhos chamaram muita atenção: com a seleção, em 82, quando perdeu e ganhou fama injustamente de “pé-frio”; e com o São Paulo. A fama mudou completamente quando assumiu o time do Morumbi. Telê recuperou a equipe no Brasileirão, levando-a ao vice-campeonato. A partir daí, montou um grupo forte que ganhou quase tudo: Paulista, Brasileiro, Libertadores, Mundial de Clubes, Recopa, Supercopa. No museu em Itabirito, a camisa do São Paulo autografada pelo elenco da campanha do Mundial de 1992, contra o Barcelona, ficará exposta, assim como o uniforme da Copa de 1982, com assinaturas de Zico, Sócrates e Falcão.

Todo o acervo está catalogado. Algumas peças que se perderam com o tempo, como bolas e chuteiras da época, serão encomendadas para que o futuro museu tenha réplicas. O Instituto Telê Santana já tem protocolo na Europa, com parcerias internacionais e algumas outras nacionais. No próximo ano deve acontecer seu lançamento. Para Renê, é mais uma homenagem ao pai.

“Resgatei o material que restou, pois muita coisa sumiu. Tinha no sítio malas que os ratos e os cupins comeram. Agora estamos bastante animados com o projeto do museu. Já temos o termo de cessão da Prefeitura e da Câmara para implementar o museu em um espaço na estação de trem da cidade. O projeto museográfico já está sendo elaborado e a parte de captação dos recursos está bem avançada”, explica.

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Itabirito usará museu para atrair turistas

Cidade está a 28 quilômetros de Ouro Preto, cidade história mineira

Paulo Favero, enviado especial a Itabirito (MG), O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2017 | 17h00

A intenção de inaugurar o Museu Telê Santana no próximo ano passa por um elaborado projeto de oferecer para a cidade de Itabirito uma outra opção econômica para além da mineração, carro-chefe local, mas que, por ser um recurso natural, tem prazo de validade. Distante 28 quilômetros de Ouro Preto, a ideia é atrair os visitantes do roteiro histórico da região para o memorial em homenagem ao ex-jogador e técnico da seleção.

“O museu agora vai realmente sair do papel. Estamos investindo com a cessão do local e vamos ajudar na captação de recursos. O Telê tem uma representatividade para o futebol como e técnico da mesma forma que Pelé tem como jogador. Estamos empolgados e isso vai dar visibilidade para a nossa cidade”, afirmou Alex Salvador (PSD-MG), prefeito de Itabirito.

Todo esse trabalho se iniciou a partir da criação do Instituto Telê Santana, que usa o esporte como ferramenta de transformação social. “O instituto tem entre seus pilares fundamentais a preservação da memória e do legado do mestre Telê, por isso a parte de documentação e cuidado do acervo é um dos principais focos no momento”, diz Renê Santana. “O que já foi catalogado e restaurado faz parte da exposição itinerante que pretendemos levar para os mais variados locais. O primeiro destino será para Ourém, Portugal, em junho deste ano”, revela o filho de Telê.

Entre os projetos está a criação de um museu itinerante, para chegar a muitos lugares do Brasil. “Este ano, com o avanço do projeto do museu e da exposição itinerante, o instituto assumiu esta responsabilidade com objetivo de catalogar e ampliar o acesso dos fãs a parte da história do Telê.

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