Arquivo/AP
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Itália fatura o bicampeonato antes da eclosão da 2ª Guerra Mundial na Copa de 1938

Velha Bota, favorita pela conquista de quatro anos antes, se beneficia da ausência de sul-americanos e é campeã

Leandro Silveira, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 03h00

Em meio a um cenário de tensão crescente em função do avanço do fascismo e do nazismo, a Fifa confirmou a realização da Copa do Mundo de 1938 e definiu a França como sede, levando a competição para o país de Jules Rimet, o idealizador da criação do torneio, mas em uma escolha que provocou desistências de nações sul-americanas.  E, dentro de campo, a seleção italiana confirmou o seu favoritismo e assegurou o bicampeonato mundial.

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Vencedora da Copa de 1934, realizada em casa, a Itália havia ampliado a sua soberania mundial dois antes do torneio ao levar a medalha de ouro na Olimpíada de 1936. Na França, então, deu nova exibição de força com uma campanha de quatro vitórias, ainda que a primeira delas tenha sido na prorrogação.

A disputa da Copa de 1938, porém, acabou sendo influenciada por fatores externos. Finalistas do primeiro Mundial, Argentina e Uruguai se recusaram a participar do torneio após a Fifa escolher a França como sede da competição, em protesto contra a decisão de se realizar uma segunda edição consecutiva no continente europeu - a de 1934 havia sido na Itália.

Em guerra civil, a Espanha nem pôde disputar as Eliminatórias para a Copa. A Áustria até obteve a sua qualificação, mas, ocupada pela Alemanha, também ficou de fora do torneio. Além disso, alguns jogadores da sua nacionalidade compuseram o grupo da seleção alemã.

O torneio também acabou sendo basicamente europeu, com 12 participantes do Velho Continente, dois das Américas e um da Ásia. Duas dessas equipes de fora da Europa disputaram sua primeira e única Copa, casos de Cuba e das Índias Holandesas, hoje Indonésia.

O torneio foi realizado no sistema mata-mata desde a sua primeira fase, as oitavas de final, com a Suécia estando automaticamente classificada às quartas com a ausência da Áustria e tendo estreado com a maior goleada do torneio - 8 a 0 sobre Cuba. O equilíbrio acabou chamando a atenção na fase inicial, com cinco dos sete duelos sendo definidos após os 90 minutos, seja na prorrogação ou em um jogo extra. Foi o caso do duelo entre Suíça e Alemanha, que terminou empatado em 1 a 1. No segundo, então, os alemães abriram 2 a 0, mas levaram a virada e caíram por 4 a 2. 

A disputa de jogos além dos 90 minutos também marcou a campanha brasileira, a melhor até então na história das Copas, muito pelo fim das brigas políticas, o que permitiu ao técnico Ademar Pimenta utilizar a força máxima. Além disso, a seleção também apresentou ao mundo Leônidas da Silva, artilheiro da Copa com sete gols, sendo três deles marcados logo na estreia, no histórico triunfo por 6 a 5 sobre a Polônia, após igualdade em 4 a 4 no tempo normal.

Na fase seguinte, o Brasil empatou por 1 a 1 com a Checolosváquia, vencendo a repetição do confronto, dois dias depois, por 2 a 1. Nas semifinais, porém, não resistiu à Itália. A equipe novamente comandada por Vittorio Pozzo vinha de triunfos sobre Noruega (2 a 1) e a anfitriã França (3 a 1) e bateu a equipe nacional, desfalcada de Leônidas, por 2 a 1. Restou ao Brasil, então, buscar o terceiro lugar, assegurado com a vitória por 4 a 2 sobrea a seleção sueca.

A Hungria, que havia massacrado a Suécia com uma virada de 5 a 1 na outra semifinal, não fez frente aos italianos na decisão. Com dois gols de Colaussi e outros dois de Piola, a Itália venceu por 4 a 2 e celebrou o bicampeonato às vésperas de uma nova guerra. O mundo do futebol só voltaria a se reunir 12 anos depois e no Brasil.

FICHA TÉCNICA DA FINAL:

ITÁLIA 4 x 2 HUNGRIA

ITÁLIA - Aldo Olivieri; Alfredo Foni, Pietro Rava, Pietro Serantoni, Michele Andreolo, Ugo Locatelli, Amadeo Biavati, Giuseppe Meazza, Silvio Piola, Giovanni Ferrari e Gino Colaussi. Técnico: Vittorio Pozzo.

HUNGRIA - Antal Szabó; Gyula Polgár, Sandor Biró, Antal Szalay, Gyorgy Szücs, Gyula Lázár, Ferenc Sas, Jeno Vincze, Gyorgi Sárosi, Gyula Zsengellér e Pal Titkos. Técnico: Alfred Schaffer.

GOLS - Gino Colaussi, aos seis, Pal Titkos, aos oito, Silvio Piola, aos 16, e Gino Colaussi, aos 35 minutos do primeiro tempo; Gyorgi Sárosi, aos 25, e Silvio Piola, aos 37 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO - George Capdeville (França).

PÚBLICO - 45.000 espectadores.

LOCAL - Stade Olympique de Colombes (França).

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