Itália frustra plano de clubes endividados

O governo italiano jogou nesta quinta-feira um baldo de água gelada no ânimo dos clubes do país. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi admitiu que a decreto-lei para ajudar a diminuir o déficit das equipes profissionais não entrará em vigor, pelo menos nos próximos dias. "Não há clima para isso", admitiu o premiê, também presidente do Milan e um dos maiores incentivadores do projeto que os italianos chamam de salvacalcio ("salva futebol").A proposta polêmica havia sido aprovada pelo Congresso, no ano passado, e previa facilidades para o pagamento de impostos atrasados. Segundo cálculos de junho de 2003, os maiores times da Itália devem cerca de US$ 600 milhões ao Fisco. Além disso, teriam acumulado prejuízos de US$ 1,2 bilhão.A decisão de Berlusconi fez soar o sinal de alarme em clubes como Lazio, Roma e Parma, que até o dia 31 devem apresentar para a União Européia de Futebol garantias de que quitarão a maior parte de suas dívidas. Se não o fizerem, correm risco de não serem aceitos nas competições continentais na temporada de 2004-05. O salvacalcio era sua esperança, porque poderiam refinanciar o saldo negativo.A postura do governo seria resposta aos incidentes ocorridos no domingo, quando Lazio e Roma interromperam o clássico, no Olímpico, aos 2 minutos do segundo tempo, porque torcedores invadiram o campo para dar a ?notícia? de que um garoto havia sido morto pela polícia na porta do estádio. A informação era falsa e desencadeou polêmica e até a suspeita de que houve conivência dos clubes. A Justiça italiana liberou nesta quinta-feira os três tifosi detidos, mas proibiu que freqüentem campos de futebol por três anos.

Agencia Estado,

25 de março de 2004 | 20h12

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