Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Itália mostra o caminho a ser seguido por Felipão contra a Espanha

Com marcação adiantada e jogadas feitas em alta velocidade, Azzura colocou rival em apuros

MATEUS SILVA ALVES - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2013 | 08h03

RIO - A viagem de Belo Horizonte para o Rio, na tarde de quinta-feira, fez Luiz Felipe Scolari perder o primeiro tempo do jogo entre Espanha e Itália - o que irritou o treinador. É óbvio que, mais tarde, ele pôde ver uma gravação com a partida completa, mas, mesmo que tivesse visto apenas uma parte dela, o gaúcho saberia que os italianos encontraram uma maneira de parar a "máquina espanhola". Repetir essa façanha amanhã, na final da Copa das Confederações, é o desafio de Felipão.

No "inverno quente" de Fortaleza, a Itália contrariou as previsões de que ficaria encolhida em seu campo, à espera de um contra-ataque milagroso ou de um golpe de sorte. O time de Cesare Prandelli foi muito agressivo desde o começo do jogo, marcando a saída de bola da defesa espanhola e impedindo o melhor meio de campo do planeta de jogar comodamente. Essa estratégia funcionou melhor quando os jogadores italianos estavam menos cansados - ficou claro que eles sentiram mais os efeitos do calor e da umidade da capital do Ceará do que os espanhóis.

Felipão certamente anotou a fórmula em seu caderninho - se é que ele tem um caderninho. Agora ele sabe que o Brasil não pode ficar passivamente esperando algum jogador da Espanha errar um passe. Uma equipe que tem gente como Xavi, Iniesta e Busquets dificilmente erra se não for pressionada.

É provável que o treinador da seleção brasileira insista para que seus jogadores façam na final o truque que tanto sucesso fez na primeira fase do torneio da Fifa: a marcação por pressão desde o apito inicial. Contra o Uruguai, o Brasil teve um começo muito lento, em comparação com os três jogos anteriores, e quase pagou caro por isso.

Como a Itália colocou a Espanha em apuros na quinta-feira sempre que roubou a bola no campo de defesa espanhol e avançou em alta velocidade, caberá ao trio formado por Neymar, Oscar e Hulk fazer esse trabalho neste domingo. Os três são suficientemente esforçados para brigar pela bola e rápidos para chegar à área adversária em um piscar de olhos. Pelo modo como se posiciona, sempre muito adiantado, o time espanhol sofre demais quando perde a bola em seu campo - especialmente se do outro lado existem jogadores velozes e habilidosos.

Porém, não bastará à seleção brasileira repetir passo a passo o que fez a Itália. Será preciso ser certeira naquilo em que os italianos falharam: finalizações. Por isso, apesar de não ser veloz, nem muito habilidoso, Fred terá papel importantíssimo a cumprir. É dele que a torcida espera os gols decisivos. E de Neymar também, é claro.

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