Itália promete coragem contra os espanhóis

Cesare Prandelli diz que, se o adversário for os campeões do mundo, time terá de ter mais posse de bola para ter chance de passar à final

LUÍS AUGUSTO MONACO - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2013 | 08h01

SALVADOR - Só uma enorme zebra evitará que a Espanha seja a adversária da Itália na semifinal que será disputada quinta-feira em Fortaleza. O time campeão do mundo e bicampeão da Europa – que deve fechar a primeira fase como líder de seu grupo – é reconhecido pelo técnico italiano Cesare Prandelli como o melhor do mundo, e seu estilo de jogo baseado na técnica e na posse de bola serve de modelo para o seu trabalho à frente da Azzurra.

 

Mas se o confronto acontecer mesmo, ele tem esperança de a história ser bem diferente do que foi há um ano na final da Eurocopa, quando os espanhóis venceram por 4 a 0."Se tivermos de enfrentar a Espanha na semifinal vamos entrar com coragem e tentar ficar com a bola mais do que eles para impor o nosso jogo."

 

Para conseguir a façanha de ter mais posse de bola, o time vai precisar de muita energia. E por isso os cinco dias que a Itália terá até a semifinal caíram do céu para Prandelli. Ele espera que nesse tempo seus jogadores recarreguem a bateria e que o departamento médico consiga colocar Pirlo em condição de jogar – o volante está em tratamento de uma contratura muscular na panturrilha direita sofrida no jogo diante do Japão, em Recife.

 

Com o time mais inteiro, o treinador acredita num desempenho igual ou melhor do que o da estreia contra o México e o do segundo tempo de ontem. A pressão feita sobre o Brasil na segunda metade da partida o deixou muito animado, ainda mais porque ele considera a equipe de Felipão tão forte contra a Espanha.

 

"O que vimos no segundo tempo me deixou muito satisfeito. Mostramos coragem, fomos em busca do resultado, criamos jogadas perigosas usando os lados do campo, tivemos profundidade, poder de reação. Foi uma ótima atuação, e partidas como esta certamente fazem o time crescer."

 

Prandelli lamentou o comportamento de sua equipe no primeiro tempo, mas fez questão de dizer que isso ocorreu mais por mérito do Brasil do que por falhas da Itália. "Eles tiveram uma postura muito agressiva e não nos deixaram jogar. Não é fácil enfrentar a seleção brasileira aqui."

 

Sem preocupação. A Itália tomou oito gols em três partidas na competição (um do México, três do Japão e quatro ontem), um número pouco comum para uma seleção que historicamente sempre teve na solidez defensiva o seu ponto forte. Mas isso não tira o sono de Prandelli, o homem que mudou o jeito de jogar e não tem nenhum volante daqueles que marcam forte no grupo de 23 jogadores que trouxe para o Brasil. "Minha preocupação com o fato de termos levado oito gols é zero. Não estamos levando gols em contra-ataques, o que seria um sinal de que a defesa teria ficado exposta, mas principalmente em lances de bola parada. "

 

O zagueiro Chiellini se preocupa mais do que o treinador com o excesso de gols sofridos, e acha que a solução é ter mais atenção nas bolas paradas.

 

"Esse tipo de lance pode decidir um jogo, e temos realmente levado muitos gols assim."

Ele vai para Fortaleza orgulhoso porque a equipe colocou o Brasil contra as cordas depois de seu gol, que deixou o placar em 3 a 2. "Com um pouco mais de sorte teríamos empatado e até vencido. O segundo tempo mostrou a verdadeira Itália."

 

E é essa Itália, se possível com Pirlo de volta, que Prandelli quer ver em Fortaleza para conseguir a classificação para a final.

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