Arquivo/AE
Arquivo/AE

Itália supera o futebol-arte da seleção de Telê e fatura o tricampeonato em 1982

Eficiente equipe que derrotou o Brasil na segunda fase faz 3 a 1 no time alemão que também superou favoritos

Leandro Silveira, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 03h00

Se as derrotas para Uruguai no jogo decisivo da Copa de 1950 e para a Alemanha nas semifinais de 2014, em torneios realizados no País, provocaram traumas eternos para a seleção, o Mundial de 1982 também deixou um legado de dor ao torcedor do Brasil. Em Barcelona, a até então invicta e encantadora equipe dirigida por Telê Santana perdeu por 3 a 2 para a Itália, em partida que ficou conhecida como "Tragédia do Sarriá". E o confronto que culminou na classificação dos italianos às semifinais da Copa os embalou para a conquista do terceiro título mundial na Espanha, país-sede do torneio e que ainda estava em período de redemocratização após a ditadura do general Francisco Franco. 

+ Confira a página especial sobre a Copa do Mundo de 2018

+ INFOGRÁFICO - Brasil, a camisa mais pesada do futebol mundial

+ ESPECIAL - 15 anos do Penta, nossa última conquista

Em 5 de julho de 1982, o futebol-arte que a seleção brasileira vinha exibindo até então não foi suficiente para barrar a Itália - um empate levaria a equipe nacional a passar de fase. Mas a eficiência e a organização tática dos rivais e, principalmente, o oportunismo de Paolo Rossi, autor dos três gols da sua seleção naquela tarde, acabaram com o sonho do tetracampeonato do Brasil, que chegou ao torneio na Espanha com a sua melhor equipe desde o tri em 1970 no México.  

Para acalentar essa expectativa, o Brasil contava com um meio-campo considerado o melhor do mundo, formado por Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico, e outros craques do futebol nacional, como Júnior e Éder Aleixo. E com o talento deles e um futebol vistoso, o Brasil venceu seus três jogos na fase de grupos, contra União Soviética (2 a 1), Escócia (4 a 1) e Nova Zelândia (4 a 0).

Na fase de quartas de final, o Brasil venceu a Argentina (3 a 1) com mais uma grande atuação. A Itália, que havia se arrastado na sua chave para avançar - foram três empates, contra Polônia, Peru e Camarões -, também havia passado pelos argentinos (2 a 1) dias antes do confronto sul-americano. E os italianos se deram melhor diante do Brasil, impondo uma das derrotas mais dolorosas da história da seleção, após Sócrates e Falcão empatarem duas vezes o placar, com belos gols. 

Embalada pela vitória sobre o favorito Brasil, a Itália encarou nas semifinais e venceu a Polônia por 2 a 0, com mais dois gols marcados por Rossi, que até o duelo com a equipe de Telê não havia feito nenhum na Espanha. Na grande decisão, apitada pelo brasileiro Arnaldo Cézar Coelho, o título foi conquistado no clássico entre dois gigantes europeus que eram bicampeões. 

Após Cabrini desperdiçar pênalti na etapa inicial, o título italiano foi garantido no segundo tempo do duelo disputado no Santiago Bernabéu, em Madri. Rossi, Tardelli e Altobelli abriram 3 a 0. O gol de Breitner para a Alemanha, que havia eliminado nas semifinais outra favorita, a França de Platini, não impediu o tricampeonato italiano, se igualando ao Brasil como únicas equipes com três títulos mundiais até então. 

Além de ter ficado marcada pela conquista da Itália e pela derrota do futebol-arte brasileiro, a Copa de 1982 também registrou uma expansão do evento organizado pela Fifa, que passou das 16 seleções participantes para 24, que foram divididas em seis grupos de quatro, com os dois primeiros avançando de fase. E houve uma "marmelada" no duelo em que a Alemanha Ocidental venceu a Áustria por 1 a 0 - ambos passaram de fase e a Argélia acabou sendo eliminada no saldo de gols. 

FICHA TÉCNICA DA FINAL:

ITÁLIA 3 x 1 ALEMANHA OCIDENTAL

ITÁLIA - Zoff; Collovati, Gentile, Scirea e Cabrini; Bergomi, Oriali e Tardelli; Conti, Graziani (Altobeli, depois Causio) e Paolo Rossi. Técnico: Enzo Bearzot.

ALEMANHA OCIDENTAL - Schumacher; Briegel, Kaltz, Karl Forster e Bernd Forster; Stielike, Dremmler (Hrubesch) e Breitner; Littbarski, Fischer e Rummenigge (Hansi Müller). Técnico: Jupp Derwall.

GOLS - Paolo Rossi, aos 12, Tardelli, aos 24, Altobelli, aos 36, e Breitner, aos 38 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO - Arnaldo Cézar Coelho (Brasil). 

CARTÕES AMARELOS - Conti e Oriali (Itália); Dremmler, Stielike e Littbarski (Alemanha Ocidental).

PÚBLICO - 90 mil espectadores.

LOCAL - Estádio Santiago Bernabéu, em Madri (Espanha).

A CAMPANHA DO TÍTULO

Primeira fase - Grupo A

14/06 - Itália 0 x 0 Polônia

18/06 - Itália 1 x 1 Peru

23/06 - Itália 1 x 1 Camarões

Quartas de final - Grupo 3

29/06 - Itália 2 x 1 Argentina

05/07 - Brasil 2 x 3 Itália

Semifinal

08/07 - Itália 2 x 0 Polônia

Final

11/07 - Itália 3 x 1 Alemanha Ocidental

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.