Fernando Bizerra/EFE
Fernando Bizerra/EFE

Itália vai superpovoar o meio de campo contra a Espanha

Na tentativa de impedir o gabaritado toque de bola espanhol, Prandelli escala seis jogadores para o setor

LUÍS AUGUSTO MONACO - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2013 | 08h20

FORTALEZA - O treino fechado que Cesare Prandelli comandou no Estádio Presidente Vargas – e que não foi tão secreto assim porque de uma obra ao lado era possível ver o campo – teve Pirlo entre os titulares e a defesa formada por três zagueiros, como o Estado antecipou na segunda-feira. Na frente, como substituto de Balotelli, treinou Gilardino.

 

A melhor notícia do dia para os italianos foi a presença de Pirlo no gramado, mostrando estar recuperado da contratura muscular na panturrilha direita que sofreu na partida contra o Japão e que o tirou do confronto com o Brasil. O médico Enrico Castellacci vinha dizendo nos últimos dias que estava "moderadamente otimista" quanto à possibilidade de o craque poder participar da semifinal de quinta-feira contra a Espanha, mas outros integrantes da delegação italiana diziam nos bastidores que Pirlo se recuperava muito bem e provavelmente jogaria. Com a recuperação do maestro do time, o treinador ganha uma arma importante para a missão de tentar ficar com a bola o máximo possível, isto é, não perdê-la rapidamente quando a tiver dominada – Prandelli admitiu na coletiva dada segunda-feira feira que os espanhóis terão mais posse de bola.

 

Para fazer a Azzurra jogar com três zagueiros, o técnico recorreu ao bloco da Juventus. Nada menos do que sete dos 11 titulares serão da equipe de Turim: Buffon, Barzagli, Bonucci, Chiellini, Pirlo, Giaccherini e Marchisio. Os "intrusos" são Maggio (do Napoli, que joga no 3-5-2), De Rossi (Roma), Candreva (Lazio) e Gilardino (Bologna).

 

À frente dos três zagueiros da Juve – que estão acostumados a jogar juntos porque o bicampeão italiano joga no 3-5-2 há dois anos –, Prandelli montou uma linha de quatro com Maggio, De Rossi, Pirlo e Giaccherini (improvisado na ala esquerda, como já jogou no clube), depois colocou dois meias avançados (Candreva e Marchisio) e na frente, Gilardino. Montolivo deve ficar no banco para entrar no lugar de Pirlo, caso ele não suporte jogar o tempo todo, ainda mais que o jogo será às 16h e faz muito calor em Fortaleza.Se começar jogando, será na vaga de Candreva.

 

O esquema testado tem uma pequena variação em relação ao que foi usado na partida da primeira fase da Eurocopa do ano passado entre Itália e Espanha, que terminou 1 a 1. O time terá três zagueiros como naquela ocasião, porque Prandelli reviu o jogo recentemente e achou que os espanhóis tiveram muitas dificuldades (o terceiro zagueiro foi De Rossi, improvisado porque Barzagli estava machucado, e Maggio e Giaccherini jogaram nas alas). A variação é que naquele dia a Itália entrou com dois atacantes – Cassano e Balotelli – e desta vez terá apenas um.

 

Com seis meio-campistas, Prandelli espera dificultar o toque de bola da Espanha. E acha que a equipe não ficará fraca no ataque porque quer que Maggio e Giaccherini – que fisicamente estão entre os melhores do grupo – se projetem pelos lados. Além disso, Candreva e Marchisio, que chutam bem de fora da área, tentarão encostar em Gilardino. "O número de atacantes não determina se uma equipe é mais ou menos ofensiva. O importante é ter jogadores de projeção, que deem profundidade ao time. E ter superioridade numérica no meio-campo é fundamental", disse segunda-feira.

 

Ninguém sabia, mas era uma pista do que pretendia fazer.

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