Itamar, de sorveteiro a jogador

Itamar, atacante do Palmeiras, de 22 anos, fala baixo, é tímido e fica assustado com alguma pergunta que possa causar polêmica. Quer ver qualquer confusão bem longe de onde está. Atualmente, só pensa em curtir a boa fase por que passa, um momento de sonho que há poucos anos não imaginava que pudesse fazer parte de sua vida. Até os 16, quando ainda era apenas um aspirante a jogador, Itamar era obrigado a dividir a bola com o picolé. Ao contrário do que ocorre com muitos garotos, o picolé não era para ele mesmo, mas um modo de ganhar dinheiro e ajudar nas despesas de casa. Sua infância em Santa Maria de Itabira, interior de Minas Gerais, foi difícil e paupérrima. "Não cheguei a passar forme, mas passei necessidade", lembra o jogador. Os pais, Mauro e Maria, tinham problemas para arcar com os custos e precisavam da ajuda do filho. Por isso, ele saía às ruas para vender picolé, que, no entanto, não foi sua única atividade antes de se profissionalizar no esporte. "Fui também ajudante de pedreiro." Hoje, sempre que vê vendedores de sorvete, Itamar recorda-se dos tempos em que a mesa de jantar de sua casa não podia receber um filé mignon, uma picanha, uma feijoada ou uma boa massa. E comemora a meteórica ascensão e a mudança radical que sua vida sofreu. "Já consegui comprar uma boa casa para meus pais", diz o atacante, esbanjando orgulho. Tudo começou a mudar no ano passado, quando ele disputou boas partidas pelo Goiás, no Campeonato Brasileiro. Nos dias de folga, Itamar vai com a mulher, Daise, para Minas. Não consegue passar muito tempo longe da família. Mas, embora esteja há poucos meses em São Paulo - desde o início do ano -, já está se acostumando ao trânsito, à poluição... Ele e Daise moram num bom apartamento na Pompéia, perto do estádio Palestra Itália. O aluguel é bancado pelo clube. "Apesar de já estar ambientando, saio pouco do apartamento. Costumo passear no shopping com minha mulher." Seu melhor amigo no elenco palmeirense é o atacante Christian, com quem costuma dividir o quarto nas concentrações. A dupla de ataque chegou até a ensaiar jogadas no apartamento do hotel. "Combinamos o posicionamento." No Torneio-Rio São Paulo, eles marcaram, juntos, 11 gols.

Agencia Estado,

15 Março 2002 | 18h46

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