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Itaquera 40 graus

Não foi uma vitória comum, embora no sistema de pontos corridos todas pareçam iguais. Superar o Santos em Itaquera, na tórrida manhã de domingo, era missão especial por uma série de dificuldades impostas pela tabela do Brasileirão. 

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2015 | 07h14

Os obstáculos no caminho corintiano tornaram o confronto magnífico, por causa da ausência de triunfos nos últimos nove clássicos e por se tratar do Santos, dono do futebol mais bonito e contundente desta fase do campeonato. 

Diante de condições extremas, às 11 horas, temperatura perto dos 40 graus no gramado e a 13ª partida em 43 dias (11 pelo Brasileiro e duas pelo Copa do Brasil), os três pontos só seriam viáveis se houvesse uma obra coletiva perfeita, de jogadores e de comissão técnica.

O Corinthians pode bater no peito e comemorar, pois conseguiu vencer mais uma batalha do jeito que planejou. Ainda não é o momento de falar em título, mas de jogar por ele, afinal o Atlético Mineiro continua na luta, cinco pontos atrás, muito firme na disputa do título.

Desclassificado pelo Santos na Copa do Brasil, Tite terá uma semana para recuperar a equipe. Não é fácil manter a concentração e a consistência do jogo com duas partidas semanais por um período tão longo. Dorival Junior, que continua na disputa do mata-mata nacional, sabe o que isso significa. E o risco.

Tite e Levir Culpi trataram do tema ontem. Elogiaram suas equipes porque Corinthians e Atlético, que bateu o Flamengo por 4 a 1, foram quase perfeitas, trabalharam exaustivamente para retirar espaços e a bola de seus adversários.

A baixa voltagem do Santos deixou a impressão de uma equipe preocupada com o desgaste físico. Faltaram ao time de Dorival Junior a dedicação e o desejo mostrados pelo Corinthians. As vitórias santistas na Copa do Brasil deixaram marcas, incomodaram e fizeram a equipe comprar a ideia de Tite.

O Santos tentou marcar a saída de bola corintiana com quatro jogadores acima da linha de meio de campo, o que o futebolês chama de cinturão. Funcionou anteriormente, mas ruiu desta vez em Itaquera. 

A movimentação e a predisposição para tarefas defensivas levaram o Corinthians ao controle da partida, a ponto de uma única bola santista atingir o gol de Cássio em mais de 90 minutos de tentativas fracassadas.

O Corinthians encurtou a marcação, atacou a bola e o espaço com muita competência, resultado de um nível de concentração que, se for mantido, poderá levá-lo ao título. Não foi o clássico de Lucas Lima, de Gabriel ou de Ricardo Oliveira.

Os nomes próprios do confronto foram outros, a começar por Yago, zagueiro escalado como lateral na vaga de Uendel. Ralf foi absoluto em seu setor, passando por Renato Augusto e Jadson, no melhor momento de suas carreiras. Inteiro fisicamente, e não era dia para isso, o meio de campo corintiano é capaz de fazer a diferença, inclusive suprindo as deficiências do ataque. 

A vitória foi justíssima. Não houve interferência da arbitragem como acreditaram os jogadores santistas. Quando foram informados de que o pênalti em Vagner Love havia sido muito claro, até seu autor, o lateral Zeca, mudou de ideia. Ficou esquisito.

O árbitro Flávio Rodrigues Guerra atribuiu a expulsão de David Braz às reclamações do jogador após o pênalti. Então errou ao não mandar Zeca mais cedo para o chuveiro. E mais, no primeiro tempo, Ricardo Oliveira acertou cotovelada em Ralf num lance carregado de intenção e deveria ter recebido o cartão vermelho. 

Desta vez, por incrível que pareça, se houve um prejudicado foi o Corinthians. Os jogos disputados às 11 horas são sucesso de público, mas têm limite. Chega. Inseridos em calendário justo e equilibrado, talvez. No momento, impossível.

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