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'Jadson Augusto'

O campeonato disputado pelo Corinthians, ainda sem o título matematicamente assegurado, cobra uma resposta: quem é o melhor jogador da campanha do 6.º título brasileiro, Jadson ou Renato Augusto? A pergunta não é fácil de ser respondida, o rendimento é constituído por uma série de fatores nem sempre visíveis.

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 03h00

 

Se a escolha se der apenas pela observação dos números, Jadson é o cara, é inquestionável. Na conta do armador há 12 passes para gol e 13 bolas na rede, quase 40% da produção ofensiva da equipe no Brasileiro. Essas marcas são importantes, resultado do trabalho, mas precisam de enredo.

O ex-jogador são-paulino não foi parar na lateral do campo por acaso. Sem a bola, sua função é fechar a linha do meio de campo, com Elias, Renato e Malcom. Quando a equipe assume a posse, pode e deve circular no espaço ofensivo. É quando surgem passes e entendimento quase perfeito com seus companheiros.

Se um dia Jadson foi daqueles articuladores notados apenas com a bola nos pés, essa não é a realidade desta campanha. Ao comprar a ideia de Tite, tornou-se um jogador muito melhor e mais completo. E seguramente mais feliz, satisfeito com seu rendimento e seus números.

Renato Augusto marcou 5 gols e deu passes para outros 5. Não interferiu tão diretamente nos placares, mas fez a engrenagem funcionar. Foi beneficiado pelo sistema tático que plantou Ralf entre as linhas e misturou competências que se completaram. 

Quando os adversários passaram a pressionar a saída de bola corintiana com mais jogadores, aproximou-se do volante para as transições, mas não trabalhou sozinho. Sem o movimento correto de Elias e de Jadson, não teria funcionado tão bem. 

Por incrível que pareça, a quatro rodadas do encerramento do campeonato, ainda existem equipes desorganizadas e mal construídas taticamente. Já viu o Palmeiras jogar?

Renato fez a máquina funcionar, deu liga ao meio de campo de múltiplas funções e organizou a equipe sem ser meia. Jadson marcou e diminuiu espaços sem ser volante, enquanto pensava em como recuperar a bola para transformá-la em gol. Elias fez de tudo um pouco, sendo obviamente beneficiado pelo sistema.

Como diria Vanderlei Luxemburgo, individualizar o sucesso “pertence ao futebol”. Mas a raiz deste Corinthians é o jogo coletivo, que deveria servir de exemplo para a seleção brasileira, como concepção, estrutura e também leveza.

Por muito mais competência que sorte, todos os obstáculos foram superados durante o Campeonato Brasileiro. As saídas de Emerson, Guerrero e Fábio Santos foram o primeiro teste. Depois vieram as contusões de Bruno Henrique, Rildo, Luciano, Fagner e Uendel. E o time sempre evoluindo, até superar o Atlético no Estádio Independência com excelente atuação.

Com o título 99,9% garantido, a partida contra o Coritiba foi ruim. Depois de tanta concentração fora de casa na “final” mineira, veio a dispersão. Influenciada pela conquista iminente, a força mental que moveu o time até aqui não se apresentou em Itaquera. Nada estranho diante de uma vantagem tão grande na tabela de classificação em semana de comemoração.

Jadson ou Renato Augusto? 

Na impossibilidade de um ‘Jadson Augusto’, Renato chama a atenção pela recuperação de sua história como futebolista e por mover a engrenagem de Tite. No Corinthians, beneficiou-se da estrutura correta e deu a resposta no campo.

Mas não iria muito longe sem Cássio, Felipe, Gil, Elias, Ralf, Jadson... Até Vagner Love ressurgiu quando se reabilitou fisicamente. Por entender o funcionamento da equipe, foi percebido por ela. Nos grupos campeões tudo é lindo e funciona, mas que esse Corinthians jogou muita bola, jogou!

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