Jair, se acostume

O técnico do Santos deve acautelar-se, porque já está sendo frito em fogo alto

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2018 | 04h00

Não, caro leitor, o título da crônica nada tem a ver com política e certos personagens. Deus nos livre e guarde, e que você me perdoe por qualquer resquício de ilação com isso! Tranquilize-se. Refere-se à situação de Jair Ventura, bem na base do balança, mas não cai. Ainda. O técnico do Santos vê o trabalho contestado e num momento de forte desgaste, em função sobretudo do retrospecto no Brasileiro, com 2 vitórias e 5 derrotas, e vaga na zona do rebaixamento.

Jair desembarcou na Vila, no início da temporada, com o respaldo de passagem venturosa pelo Botafogo, de onde se lançou para o mercado. Com elenco sem estrelas e limitado, fez campanha digna na Série A de 2016 e brilhante trajetória na Libertadores do ano seguinte. Despontou como um dos jovens e promissores professores da bola nacional, num mercado viciado em nomes surrados e vários um tanto ultrapassados. Era ar fresco.

A linguagem segura, a estratégia eficiente no Botafogo colocaram o filho do craque Jairzinho na mira do Santos, ávido por novidades. O clube paulista gostou do perfil moderno, apto a lidar com tropa de baixa média de idade. O moço encarou o desafio (com outra Libertadores) e veio com a cara e a coragem para São Paulo. Abriu mão do prestígio e do conforto do berço de origem.

Na época, considerei que fosse prudente criar mais casca e calos no Botafogo, pois lá poderia permitir-se a experimentações, com pressão aceitável. Em todo caso, quem somos para dar palpites na vida dos outros? Nem sempre administramos com sabedoria a nossa. E cada um sabe de suas ambições. Lembro que só alertava para o ambiente, digamos, intenso na Baixada Santista. O caldeirão, no Urbano Caldeira, esquenta e entorna com facilidade.

Em cinco meses de casa, Jair percebeu que o mar não está para peixe, e uma onda mais traiçoeira pode apanhá-lo em cheio. Motivos para tanto acumulam-se, e os principais estão em campo. O Santos tem poucos astros, dentre os quais entram o goleiro Vanderlei, o veterano Renato, o combativo David Braz, o instável Gabigol, e uma enormidade de rapazes em busca de afirmação. Além de baixas recorrentes, como a do bom Bruno Henrique.

A combinação, por enquanto, não deu liga. Um desconto para o Estadual, mais classificação sem grande susto e tampouco futebol brilhante na Libertadores e na Copa do Brasil. O nó apareceu mesmo no Brasileiro. O Santos carece de equilíbrio defensivo, agravado por inércia no meio-campo e inapetência no ataque. Ou seja, uma sucessão de malsucedidos e placares ruins.

Jair não consegue moldar a equipe, quanto menos esquema confiável. Na tentativa de evitar sangria maior, pende para jogar retrancado. Nem assim, evita derrotas. A gritaria da torcida é grande, como se viu no protesto de no sábado à tarde, e há risco contra o Vitória. Bom Jair acostumar-se com a ideia de saída, se o Santos decepcionar neste domingo.

Alívio verde

A barra andava pesada para o lado de Roger Machado, contestado por parte da torcida do Palmeiras. E por pouco não ficou em situação delicada, depois de ver o São Paulo abrir o placar, no duelo deste sábado à noite. Salvou-o a reação da equipe, na segunda parte, e sobretudo o desempenho decisivo de William, autor dos gols que iniciaram a virada. O placar de 3 a 1 nem é resumo fiel do jogo, até equilibrado, mas tirou um peso enorme das costas do treinador palestrino e não altera o prestígio, em alta, de Diego Aguirre. Uma preocupação: Moisés saiu de campo outra vez machucado. O que acontece de fato com esse rapaz?

Exagerado

Dei uma espiada na coluna de meu vizinho Giorgetti. Generosidade dele elogiar os textos do livro “Seleção Nunca Vista”. A arte está nas fotos de Antonio Lucio.

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