James Rodríguez, o craque que melhorou seu DNA

Atacante nasceu em uma família de jogadores, mas trabalha duro desde cedo para se tornar cada vez mais completo

Luís Augusto Monaco, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2014 | 05h00

O futebol está no DNA da família de James Rodríguez. Seu pai, Wilson James Rodríguez, foi o camisa dez da seleção colombiana no Mundial Sub-20 de 1985. Seu tio, Arley, jogou no Nacional de Medellín. Mas o craque que hoje deslumbra o mundo com suas atuações na Copa não vive só do talento – ou do dom, como disse o técnico uruguaio Óscar Tabárez depois do jogo de sábado no Maracanã – com que nasceu. Perfeccionista, sempre trabalhou duro para melhorar cada vez mais. E não para de evoluir.

Embora tenha herdado do pai o jeito para jogar, James Rodríguez deve muito ao padrasto, Juan Carlos Restrepo – com quem convive desde que tinha três anos (desde então ele não viu o pai quase nunca).

Foi Restrepo quem lhe deu seu primeiro par de chuteiras e o inscreveu numa escolinha de futebol quando ele tinha cinco anos. E era com ele que James Rodríguez batia bola na rua ou em campinhos precários de Ibagué para aperfeiçoar seus fundamentos.

Aos seis anos James jogava com meninos de oito. E, embora fosse o menorzinho da turma, já era o craque do time – e o mais competitivo. Um dia, numa final de campeonato, ele foi expulso por ter brigado com um adversário. Saiu de campo chorando compulsivamente e, num acesso de fúria, empurrou a irmã, Juana Valentina, então com cinco anos, numa poça de lama. Até hoje ele detesta perder, mesmo que seja numa inocente partida de Play Station. Mas aprendeu a se controlar.

Uma das obsessões de James Rodríguez sempre foi se tornar mortal nas bolas paradas – uma especialidade que o seu pai tinha (com o pé direito, e não com o esquerdo como o filho). Quando jogava pela Academia Tolimense, fez dois gols olímpicos numa final contra o Deportivo Cali que lhe serviram de passaporte para chegar ao Envigado – equipe com a qual estreou como profissional. E nesse clube sua mãe lhe pagava um "professor particular" que lhe dava dicas para melhorar como cobrador de faltas.

Longe dos bailes. Nessa época, James deixava de lado os prazeres e as diversões da adolescência para se dedicar com uma disciplina férrea à carreira (já jogava na equipe de cima). Anos mais tarde, quando era uma estrela no Porto, disse que os jogadores de futebol são "os seres mais anormais" do planeta.

"Uma pessoa normal tem vida social, vai a festas, tem o direito de beber e às vezes passa as noites em claro se divertindo. O jogador de futebol dorme cedo, tem uma alimentação regrada e raramente pode sair."

A dedicação aos treinos e ao trabalho extra para se tornar um jogador mais completo levavam James Rodríguez a "cabular" bailes que sua mãe queria que ele frequentasse.

"Eu comprava roupas para ele ir, mas na última hora desistia e ia jogar futebol", contou sua mãe, Pilar Rubio, em uma entrevista recente.

Como vivia só para o futebol, o craque era tímido com as meninas. E se casou logo com a segunda namorada que arrumou: Daniela Ospina, irmã de David Ospina, o goleiro titular da seleção colombiana. Com ela tem uma filha, Salomé, que fez um ano pouco antes do início da Copa do Mundo.

MATURIDADE

A determinação para se tornar um jogador de sucesso e o talento que o fez queimar etapas ajudaram James Rodríguez a amadurecer muito cedo. Com 15 anos já jogava profissionalmente, aos 18 se tornou o estrangeiro mais jovem a atuar no Campeonato Argentino e também a fazer um gol e a ser campeão (pelo pequeno Banfield), com 19 jogava na Europa (no Porto), dois anos depois já era o maestro da seleção e por aí vai.

Para sua mãe e suas irmãs, ele sempre foi "um ancião em corpo de garoto" por sua seriedade e responsabilidade. Um caxias, para usar o português claro.

Esses traços de sua personalidade estão presentes em seu jogo. James Rodríguez não perde tempo com filigranas que não levam a nada nem encosta o corpo se a situação está difícil. Tudo o que faz em campo é com objetividade, e pensando sempre no time. Um exemplo é o golaço que marcou no Japão, em que deu dois dribles desconcertantes em seu marcador e iludiu o goleiro com um suave toque por cobertura. Nada ali foi supérfluo ou exagerado.

"James cresceu muito nesse aspecto. Ele está cada vez mais participativo, e seu talento sobressai porque o coloca a serviço do coletivo", opinou o técnico José Pekerman.

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