Miguel A. Lopes/Reuters
Sem clube, Diego Costa é um dos jogadores mais procurados do momento na Europa Miguel A. Lopes/Reuters

Sem clube, Diego Costa é um dos jogadores mais procurados do momento na Europa Miguel A. Lopes/Reuters

Janela de transferências abre na Europa com expectativa de poder financeiro reduzido

Impacto da pandemia do novo coronavírus deve fazer clubes buscarem diferentes operações para contratar reforços

Ciro Campos , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Sem clube, Diego Costa é um dos jogadores mais procurados do momento na Europa Miguel A. Lopes/Reuters

A janela de transferências do futebol europeu começa neste sábado com a abertura dos mercados na Inglaterra, na França e na Alemanha e a apresentação de indícios de como as negociações vão se portar pelos próximos anos. Pela primeira vez o período terá o forte impacto da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit. Além disso, os efeitos da pandemia do novo coronavírus devem se fazer ainda mais presentes.

De acordo com estimativa do próprio Campeonato Inglês, os times tiveram um prejuízo de cerca de R$ 5 bilhões com as partidas disputadas com portões fechados e a perda de receitas geradas pela crise. Por isso, a imprensa local prevê que a janela será marcada principalmente por muitas operações de empréstimos entre os clubes. Já as compras devem ser feitas com pagamentos parcelados e dentro do mercado doméstico. Assim, os gigantes da Europa não devem desfalcar tanto os clubes brasileiros, como em temporadas anteriores. 

"Os clubes compradores estão atentos a esse contexto e utilizando modalidades de pagamentos parcelados feitos a partir de financiamentos com bancos e investidores", contou ao Estadão a advogada inglesa Liz Soutter, especialista na área financeira do direito esportivo do escritório Effori Sports Law. Sócio do mesmo escritório, o advogado Nilo Effori avaliou que o mercado europeu continuará com postura cautelosa para fazer negociações ainda pelos próximos anos. "Ninguém quer contratar um jogador caro. A quantidade de empréstimos gratuitos entre as equipes aumentou muito", disse.

Apesar de a pandemia já ser uma realidade no futebol europeu desde março de 2020, a janela atual vai mostrar evidências diferentes das apresentadas em julho, durante o verão no velho continente. No meio do ano passado, boa parte das transferências havia sido encaminhada antes do início da covid-19 e foi sacramentada em um contexto de otimismo pelo retorno do calendário.

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Os clubes compradores estão atentos a esse contexto e utilizando modalidades de pagamentos parcelados feitos a partir de financiamentos com bancos e investidores
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Liz Soutter, Advogada especialista na área financeira

Agora, em meio ao aumento de casos, à descoberta de uma nova cepa do vírus e ao Brexit, o comportamento deve ser outro. Segundo o jornal inglês The Independent, os times locais devem movimentar neste mês de janeiro bem menos do que os R$ 3 bilhões gastos no início de 2018, período em que mais se gastou com contratações no país na janela de inverno.

Porém, ao mesmo tempo em que a pandemia tirou recursos, acelerou a necessidade por mudanças. O calendário mais apertado de jogos prejudicou bastante o atual campeão inglês, o Liverpool. O time do técnico Jürgen Klopp tem sofrido com desfalques seguidos na defesa, em especial as baixas com Van Dijk, Gómez e Matip. Por isso, uma possível saída será contratar o francês Dayot Upamecano, destaque do Red Bull Leipzig, da Alemanha, em negociação avaliada em R$ 280 milhões.

Ainda na Inglaterra, a expectativa é pela saída do alemão Ozil, do Arsenal, e do francês Pogba, do Manchester United. A tendência é de que o início da janela tenha como grandes atrações as negociações domésticas. O meia Dele Alli, do Tottenham, e o volante Declan Rice, do West Ham, são os principais nomes envolvidos em especulações.

Outra atração desta janela é o atacante Diego Costa. O brasileiro naturalizado espanhol rescindiu com o Atlético de Madrid e está livre no mercado. Um possível destino é o Wolverhampton, da Inglaterra. A equipe também quer o sérvio Luka Jovic, do Real Madrid.

Embora com contrato em vigor, outra expectativa no mercado é saber o destino do astro norueguês Haaland. O atacante do Borussia Dortmund, da Alemanha, desperta o interesse do Barcelona e de outras equipes inglesas. As janelas na Espanha e na Itália só abrem na segunda-feira. Porém, todos os mercados vão fechar ao mesmo tempo, em 1.º de fevereiro.

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Possível volta de Neymar agita clima de disputa presidencial no Barcelona

Atacante brasileiro é visto como peça importante para o clube catalão ganhar títulos e também aumentar suas receitas

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2021 | 21h48

Neymar está no centro das atenções da janela de transferências do futebol europeu. Seu contrato com o Paris Saint-Germain expira em 2022 e uma possível volta ao Barcelona entrou na pauta das eleições presidenciais do clube espanhol – o pleito ocorre no próximo dia 24.

"Contratar um jogador desse calibre não é uma despesa, é o melhor investimento do mundo", adiantou Jordi Farré, um dos candidatos à presidência do Barcelona, clube que o brasileiro defendeu de 2013 a 2017. "O retorno de Neymar seria pouco caro, porque ele faz com que se vendam camisas, direitos, publicidade, patrocinadores..." Mesmo que a sua saída ao PSG tenha sido litigiosa, a perspectiva de receita e de gols que sua volta pode trazer faz com que parte da torcida apoie a sua contratação.

Neymar não é apenas um dos jogadores mais talentosos do planeta. É uma máquina econômica que dribla a crise assim como faz com seus marcadores. "Neymar brilha e em muitos lugares mais do que o PSG. Sua marca pessoal é muito forte. Interessa a muita gente e não apenas aos torcedores do futebol", explica Jérôme Neveu, presidente-fundador da agência francesa Advent, especialista em marketing esportivo.

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'Contratar um jogador desse calibre não é uma despesa, é o melhor investimento do mundo
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Jordi Farré, Candidato à presidência do Barcelona

Com um faturamento estimado em 80 milhões de euros (cerca de R$ 500 milhões) em 2020 pela revista Forbes, o craque é garoto-propaganda das marcas de moda italiana Replay e Diesel, da companhia aérea Qatar Airways, do grupo Red Bull e da operadora francesa de telecomunicações SFR. Seu contrato com a Puma, que lhe rende entre 25 e 30 milhões de dólares (R$ 180 milhões), seria o mais lucrativo já assinado entre um jogador e uma marca esportiva.

Seus 143 milhões de seguidores no Instagram, quatro vezes mais do que o próprio PSG, fazem dele a décima personalidade mais seguida na rede social. 

Apesar de Neymar ter sido fundamental para o crescimento do PSG, há dúvidas sobre o impacto que a esperada chegada do técnico argentino Mauricio Pochettino pode provocar na relação do craque. "É importante ter um superastro, mas existe a possibilidade de mudança", aponta Jean-Pascal Gayant, professor de economia da Universidade de Le Mans. "Para mim, Neymar é substituível."

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