Japão e Coréia: prévia para a Copa

O Brasil terá novamente a seleção de Camarões pela frente. Depois de eliminar surpreendentemente os brasileiros nas quartas-de-final da Olimpíada de Sydney, no ano passado, o time africano volta a ser uma ameaça. Camarões, Canadá e Japão ficaram no grupo da seleção do técnico Emerson Leão, conforme sorteio realizado hoje, na ilha sul-coreana de Cheju, para a definição dos grupos da Copa das Confederações, que serve de ensaio para o Mundial de 2002. A composição dos grupos confirmou um desejo que os japoneses raramente conseguem esconder: o de garantir que a seleção brasileira estabeleça sua base de concentração no Japão, tanto para a prévia deste ano como para o Mundial. Com início previsto para o dia 30 de maio, com a partida entre França e Coréia do Sul, a Copa das Confederações deve ser um perfeito laboratório para o Mundial. O torneio vai testar o grau de preparação dos japoneses e sul-coreanos para a Copa, possibilitando a avaliação de aspectos que vão desde as condições climáticas até a infra-estrutura para o evento. Os testes também podem determinar até que ponto Japão e Coréia do Sul estão prontos a superar rivalidades históricas entre os dois vizinhos, como a recém-encerrada disputa em torno de uma questão básica - o próprio nome da competição. Uma decisão da Fifa estipulava a denominação oficial de Copa do Mundo Coréia-Japão, mas os japoneses insistiram, por vários meses, em inverter a ordem dos países no material de divulgação interno. Em uma das várias intervenções da Fifa, as trocas de farpas entre japoneses e coreanos acabaram sendo resolvidas com a adoção de um segundo nome oficial: Copa do Mundo Fifa - 2002. Mal encerrada a disputa, surgiram outros problemas. A dificuldade mais recente nos preparativos para o Mundial promete muita polêmica, envolvendo pesados interesses comerciais. Enquanto a Fifa defende a total proibição de fumar nos estádios da Copa do Mundo, os japoneses principalmente querem banir a venda de qualquer bebida alcoólica em dias de jogos, dentro ou fora dos locais das partidas. A sugestão está sendo fortemente recomendada pela polícia, como forma de evitar a ação de hooligans no país. O problema, porém, esbarra num dos integrantes do seleto clube de patrocinadores oficiais - a fabricante norte-americana de cervejas Budweiser. Clima - O calor e a forte umidade no mês de junho, sobretudo no Japão, também fazem parte dos inúmeros aspectos a serem testados na Copa das Confederações, especialmente no que se refere ao "tsuyu", o nome dado pelos japoneses à estação das chuvas no país, coincidindo exatamente com a época da realização do Mundial. Entre os dez estádios que servem de palco para o evento poucos são equipados com estrutura para cobrir inteiramente o gramado em caso de mau tempo, mas nenhum deles será utilizado na Copa das Confederações. Caso se classifique na fase inicial da competição e chegue à disputa da final, o Brasil deve jogar em apenas duas cidades japonesas, Kashima e Yokohama, localizadas nas imediações de Tóquio.Nas três partidas da primeira fase, contra Camarões, Canadá e Japão - pela ordem -, a seleção brasileira não precisa sair de Kashima. A cidade tem forte ligação com o futebol do Brasil e o time local, o Kashima Antlers, é dirigido pelo técnico Toninho Cerezo, tendo sempre contratado jogadores brasileiros desde que foi criado em 1993. A primeira grande estrela do clube foi Zico, que hoje ocupa o cargo de diretor de futebol, sendo considerado verdadeiro herói na cidade, com uma estátua erguida em sua homenagem em frente ao estádio local. No ano passado, o prefeito de Kashima esteve no Brasil para reuniões com dirigentes da CBF, como parte de uma campanha para que a seleção escolha o município como base de treinamentos e concentração para a Copa do Mundo. A França anunciou recentemente a escolha da região de Kyushu, no sul do Japão, como local de concentração, em função da proximidade com a Coréia do Sul. O cálculo dos japoneses leva em conta o fato de as delegações estrangeiras permanecerem no país por pelo menos um mês na Copa, justificando a intensa disputa entre regiões para receber,principalmente, a seleção brasileira. Apesar da forte influência de Zico e dos esforcos do governo municipal, Kashima não está sozinha na campanha de promoção da "beessu-kyampu", ou base de concentração do Brasil. Várias outras regiões japonesas estão interessadas em receber a seleção, convencidas de que a presença dos brasileiros "chama a atenção do mundo para a cidade". Entre governos que apostam na divulgação e promoção do município estão as províncias de Oita e Shizuoka, além da cidade histórica de Nara, vizinha de Osaka e Kyoto.

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