Japão monta um quinteto brasileiro para brilhar na Copa

O Japão montou o seu quinteto brasileiro para surpreender na Copa do Mundo da Alemanha, neste ano. Nada comparável a Robinho, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano, mas que certamente vai dar trabalho para Croácia, Austrália e Brasil, adversários do Grupo F da competição. Na verdade, trata-se de um autêntico esquadrão de craques fora das quatro linhas: Zico, Cantarele, Tita e Júnior brilharam no Flamengo na década de 80 e, agora, querem fazer história do outro lado do mundo. Além deles, Edu, irmão do Galinho de Quintino, atuou pela equipe carioca em 1976 e também é peça-chave da seleção asiática. Na hierarquia da comissão técnica nipônica, Zico é o treinador. Iniciante na profissão e ídolo no país, ele sabe que a responsabilidade é grande. Para dividir tarefas, ele nomeou Edu como auxiliar e Cantarele, preparador de goleiros. Agora, contratou Júnior e Tita para exercer o trabalho de espionagem. Ambos farão um raio-X dos adversários e prováveis oponentes da equipe no Mundial. De acordo com Júnior, a missão não é desconhecida e tampouco o assusta. Ele já foi observador da seleção brasileira na conquista do tetracampeonato, em 1994, nos Estados Unidos. ?Tenho experiência na função. O Zico quer que a gente observe alguns jogadores rivais na Europa, a fim de analisar se eles atuam da mesma maneira no clube e na seleção?. Os relatórios, que vão conter filmagens, fotografias, estatísticas, entre outras coisas, serão enviados ao treinador do Japão por e-mail. Júnior contou que ainda não foi definido quais jogos assistirá até o início da Copa, no dia 9 de junho. A programação, segundo ele, ainda não está pronta. Sabe-se, porém, que o amistoso entre Croácia e Argentina, no dia 1.º de março, na Basiléia, é ?imperdível?. Para os espiões ? que preferem ser chamados de olheiros ?, o Japão tem que definir a classificação para as oitavas-de-final nas duas rodadas iniciais do Grupo F, quando enfrentará Austrália e Croácia. O último jogo da primeira fase é justamente contra o Brasil. ?Na hora do trabalho, a emoção de encarar a seleção pentacampeã fica de lado. Não acho falta de patriotismo, apenas tenho que fazer o meu melhor profissionalmente?, disse Júnior. ?Atualmente, o Japão atua de igual para igual com qualquer seleção. Este é o mérito do Zico?. Sobre a comissão técnica com cinco rubro-negros, Júnior disse que ?é continuação de um ambiente saudável e de grandes vitórias?. ?É um retorno às origens. Fica mais fácil e melhor trabalhar assim. Não há constrangimento e facilita a adaptação?. Tita concordou com o ex-companheiro de Flamengo. ?São profissionais vencedores. Além disso, não há como recusar um convite do Zico, até pela perspectiva e força que ele tem?. O ex-jogador deixou o cargo de técnico da Portuguesa, da Ilha do Governador, na zona norte do Rio, durante os preparativos para o Campeonato Carioca com o objetivo de se dedicar integralmente à nova função. ?Vou crescer profissionalmente ao ganhar mais conhecimento sobre o futebol mundial. Será uma interessante experiência?. Tita detalhou bem o seu trabalho. ?Anotarei quem bate as faltas, os pênaltis e os escanteios; por onde a bola sai mais da defesa para o ataque, quem é o destaque da Croácia e da Austrália, o esquema tático, entre outras coisas?. Preparação - Há quatro dias, o Japão iniciou os treinamentos, na cidade de Miyazaki, para disputar o amistoso contra os Estados Unidos, em São Francisco, no dia 10 de fevereiro. O elenco já trabalha com a bola que será usada na Copa. ?A seleção evoluiu muito. A tendência é a de que a gente faça uma boa campanha?, apostou Tita. No último Mundial, em 2002, a seleção passou da primeira fase, mas foi eliminada pela Turquia nas oitavas-de-final. Com o reforço do quinteto, espera-se que haja progresso em 2006.

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