Japonês vai perder a casa por obra de estádio olímpico pela segunda vez

Kohei Jinno foi despejado por causa das Olimpíadas de 1964, e história deverá se repetir para 2020

Ruairidh Villar e Hyun Oh, Reuters

18 de setembro de 2013 | 16h15

TÓQUIO - Kohei Jinno exibe as fotos em preto e branco nas quais sua família posa orgulhosa diante de uma casa no centro de Tóquio, que foi demolida para dar lugar ao principal estádio usado na Olimpíada de 1964. Jinno, de 79 anos, agora está sendo despejado outra vez. O conjunto habitacional onde ele mora com a mulher, perto do estádio olímpico e da sua antiga casa - hoje um estacionamento - deverá ser demolido para a construção de um novo estádio a ser usado na Olimpíada de 2020, que será novamente realizada em Tóquio.

"O destino não foi gentil comigo. Pode ser um grande benefício para a nação, mas ter de deixar este lugar me enche de tristeza", disse ele à Reuters. "Eu sinto que, se não fossem as Olimpíadas, minha vida teria sido muito diferente". O Estádio Olímpico de 1964, patrimônio afetivo dos japoneses, será demolido no ano que vem para dar lugar a uma nova arena de aspecto futurista, projetada por Zaha Hadid. O novo estádio terá 80 mil lugares, 30 mil a mais do que o atual, e já será usado na Copa do Mundo de Rúgbi de 2019.

Jinno e seus nove irmãos passaram a infância em uma casa que é hoje um estacionamento de concreto vizinho ao Estádio Nacional, no centro de Tóquio. Depois que aquela casa foi incendiada, durante a Segunda Guerra Mundial, a família se mudou para uma casa a 20 metros de distância, onde Jinno manteve uma tabacaria anexa à residência.

Antes da Olimpíada de 1964, cerca de cem famílias, inclusive a dele, foram despejadas para dar lugar ao estádio e ao estacionamento ao redor. Um riacho próximo foi canalizado, e as árvores do bairro foram derrubadas. Sem a tabacaria, Jinno precisou lavar carros para se manter, morando num cubículo com a mulher e os dois filhos. Em 1965, ele se mudou para o conjunto habitacional público, e conseguiu reabrir a tabacaria, que ainda existe.

Recentemente, ele e a mulher foram avisados de que precisarão se mudar de novo, deixando o lar onde criaram os filhos. Jinno acha que poderá passar no máximo mais dois anos ali.

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