Érico Leonan/São Paulo FC
Érico Leonan/São Paulo FC

Jean é a quarta aposta do São Paulo em busca de uma referência no gol pós-Ceni

Goleiro vindo do Bahia chega vestindo a 1 para disputar vaga de titular com Sidão

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 07h00

A novela da busca por um nome incontestável no gol tricolor ganhou um novo capítulo. Apresentado, Jean vestiu a 1, vai disputar o posto de titular com Sidão e já avisou que não quer comparações. Mas sabe que é impossível ignorar a sombra de Rogério Ceni, que se aposentou em 2015 e que vê a torcida do São Paulo até hoje órfã de uma referência embaixo das traves.

Novo 1 do São Paulo, Jean exalta Ceni e espera disputa saudável com Sidão

"A torcida ainda não tem uma nova referência de goleiro como o Rogério era", reconhece o novo goleiro da equipe. "E vai demorar um pouco. Não é um ano ou dois para tirar o peso da história dele. Os goleiros têm de trabalhar bastante, fazer sua própria história sem se comparar a ninguém."

O "peso" a que Jean se refere fica evidente nos números: Ceni se aposentou depois de 25 anos jogando no São Paulo. Foram 1.237 jogos, em que venceu 648, empatou 275 e perdeu 314, obtendo um aproveitamento de 59,8%. Ninguém depois dele conseguiu essa porcentagem até agora, mesmo em pouco tempo.

Sidão, atual titular, é quem mais se aproxima: fez 27 jogos em 2017 e terminou o ano em alta, com 56,8% de aproveitamento, com 12 vitórias, 10 empates e 5 derrotas. Dênis, primeiro substituto de Ceni, e Renan Ribeiro, que atuou principalmente em 2017, não chegaram a 50%. 

Dênis (45,7%) somou 78 jogos pelo São Paulo, venceu 28 vezes, empatou 23 e perdeu 27. Renan (45,4%) jogou 33, somou 12 vitórias, 9 empates e 12 derrotas. Além deles, Léo, reserva de Ceni e Dênis, jogou uma única vez, nos 15 minutos finais da última partida do Brasileirão de 2016, em que o São Paulo goleou o Santa Cruz no Pacaembu por 5 a 0. 

O desempenho também não ajuda. As duas temporadas após a aposentadoria de Ceni como jogador foram caóticas para o São Paulo. 2017, o "fundo do poço", como descreveu Hernanes na época em que o time enfim se livrava do risco de rebaixamento em seu pior ano no Brasileirão. A má fase também foi um fator que interferiu na ausência de identificação da torcida com algum de seus goleiros que sucederam Ceni, que conquistou Mundial Interclubes, Libertadores, Sul-Americana, três Brasileiros, três Estaduais e outras dezenas de títulos no clube.  

GOLEIROS DO SÃO PAULO PÓS-CENI

2016 e 2017Dênis - 78 jogos (28 V, 23 E, 27 D) - Aprov.: 45,7%

2016 e 2017 - Renan Ribeiro - 33 jogos (12 V, 9 E, 12 D) - Aprov.: 45,4%

2017 - Sidão - 27 jogos (12 V, 10 E, 5 D) - Aprov.: 56,8%

Otimista de que a equipe tricolor pode se reerguer, Jean diz que chega para somar à equipe, e se põe à disposição para uma disputa saudável pelo posto de titular com Sidão. "Não tem briga, mas se tiver, vai ser saudável. Sidão terminou o ano muito bem, com grandes atuações. A gente treina, o jogador é escalado no treino e a gente vem treinando, a decisão é do Dorival e eu chego para somar dentro ou fora de campo."

Jean, que não esconde sua idolatria por Ceni, diz que quer construir sua própria história, e faz questão de explicar o vídeo de 2015 em que aparece comemorando um gol de falando dizendo que é "o novo Rogério". "A gente estava com o Bahia no CT do Palmeiras treinando para um jogo pela Série B, eu fiz o gol e brinquei. Toda criança já brincou que era seu ídolo, não quis me comparar. Ele é uma referência para mim. Ele tem uma grande e linda história aqui, e eu venho construir a minha."

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