Gabriel Bouys/AFP
Gabriel Bouys/AFP

Jejum de gols de Giroud na Copa vira amuleto para França na final

Camisa 9 ainda não marcou, assim como Guivarc’h na campanha do título de 1998

Ciro Campos, enviado especial / São Petersburgo, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 05h00

Enquanto o Brasil conviveu com a preocupação na Copa do Mundo de ter seu camisa 9, Gabriel Jesus, sem fazer gols ao longo da campanha, a França passa pela mesma situação sem se incomodar. Pelo contrário. A equipe europeia chegou à final da competição, marcada para domingo, diante da Croácia, sem festejar um gol sequer de Oliver Giroud, seu homem de área e também camisa 9. Mas o que seria motivo de desespero, esse jejum, virou amuleto da sorte.

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A imprensa e a torcida francesa veem a má fase de Giroud como uma repetição do roteiro da Copa de 1998, a única vencida pela França na história da Fifa. Naquela ocasião, a equipe sofreu com a qualidade dos seus atacantes titulares. Dugarry fez só um gol e Guivarc’h (camisa 9 daquela seleção) não fez nenhum ao longo do torneio. Ambos enfrentaram o Brasil na final e chegaram a perder oportunidades claras para marcar. 

Há 20 anos, a França tinha no banco de reservas dois atacantes jovens, Henry e Trezeguet, que fizeram uma boa competição, porém não se tornaram titulares por terem apenas 20 anos. Já Giroud é um atacante experiente, de 31, disputa pela segunda vez uma Copa do Mundo e está há seis temporadas no futebol inglês. Suas atuações, no entanto, foram defendidas pelo técnico Deschamps, que não pensa em sacá-lo do time. O treinador foi campeão em 98.

“Giroud fez um excelente jogo (contra a Bélgica). Ele nos deu opções no meio desde o começo para criar. O time da Bélgica tinha qualidade para marcar. A presença dele foi útil”, afirmou Deschamps, que tem bastante confiança no atacante, ao apostar nele e não em Benzema, estrela do Real Madrid e que sequer foi convocado.

 

Os franceses têm procurado coincidências da Copa atual com a de 1998 para se animar à espera do segundo título. A falta de gols de Giroud é um desses aspectos, assim como a presença de Didier Deschamps, a campanha com jogo contra a Dinamarca, a utilização de uniforme branco nas quartas de final e um gol decisivo de um defensor para colocar o país na semifinal. Mas nem precisariam se apegar à superstição. Afinal, nesta campanha, a seleção francesa conta com os gols e o bom futebol de Mbappé e Griezmann. Cada um anotou três vezes. Segundo as estatísticas da Fifa, Giroud finalizou 14 vezes a gol em seis jogos, mas só acertou o alvo uma vez, com nove tentativas para fora e outras quatro bloqueadas pelo beques. Se tanto, deu uma assistência para gol.

Giroud só não foi titular na estreia da França, contra a Austrália, e provavelmente jogará a decisão em Moscou, domingo. Se ele conseguir marcar, conseguirá fazer os torcedores se lembrarem de outra coincidência de 1998. Naquela Copa, Zidane não havia feito gol algum, chegou até a ficar fora de dois jogos por suspensão, mas, na final contra o Brasil, foi decisivo, ao marcar duas vezes.

 

 

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