Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Jérôme Valcke reclama das obras nos entornos dos estádios brasileiros

Secretário-geral da Fifa pede ‘trabalho adicional’ nos arredores das seis arenas

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2013 | 08h03

RIO - Mesmo os estádios já inaugurados para a Copa das Confederações ainda não estão totalmente prontos para o Mundial de 2014. O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, afirmou nesta quarta-feira, no evento de inauguração do relógio que marca um ano para a Copa, que será necessário um "trabalho adicional" no entorno das seis arenas. Na mesma cerimônia, Pelé criticou Mano Menezes e voltou a pedir à torcida que não vaie a seleção na Copa das Confederações, que começa sábado.

"Os estádios em si estão prontos", disse Valcke, após o evento na praia de Copacabana, na zona sul do Rio. "Quando falamos de trabalho adicional, estamos nos referindo ao entorno". Segundo ele, as estruturas temporárias, de mídia e patrocinadores, por exemplo, são bem maiores no Mundial, em relação à Copa das Confederações.

Mesmo com o entorno do Maracanã ainda em obras faltando três dias para o primeiro jogo - México x Itália, no domingo -, o secretário-geral da Fifa garantiu a segurança dos torcedores e brincou com a "maquiagem" ao redor do estádio. "Os estádios são seguros. O Maracanã é como uma linda mulher que usa a maquiagem para ficar ainda mais bonita. Os 12 meses são mais que o suficiente para que os outros seis estádios fiquem prontos."

"Quando estive no Maracanã em março, nunca imaginei que o estádio estaria como hoje. É incrível o que o ser humano pode fazer", disse Valcke.

Além da praia de Copacabana, outros dois relógios, desenvolvidos pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que faleceu em dezembro, foram instalados na av. Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, e em Brasília. 

CRÍTICA DO REI 

Para Pelé, Mano Menezes desperdiçou a chance de construir uma base na seleção. "Pronta, a seleção não está. Infelizmente, o Mano Menezes teve um tempo bom na seleção, mas perdemos a oportunidade de fazer uma base. Parreira e Felipão têm experiência", afirmou o ex-jogador. "Do meio de campo para trás, temos uma base boa. Agora, temos de organizar do meio para a frente".

Pelé elogiou a escolha de Neymar pelo Barcelona. "A primeira consulta foi feita para ele ir à Inglaterra, não acho que seria bom para o futebol dele." A cria da Vila Belmiro, segundo o rei, era "sem dúvida a melhor figura que tínhamos" jogando no futebol nacional. Pelé voltou a pedir paciência à torcida brasileira: "Façam um esforço, não vamos vaiar a nossa seleção".

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou que o governo federal está preocupado com o encarecimento dos ingressos nas novas arenas construídas ou reformadas para a Copa. Naquelas já inauguradas, como Fonte Nova e Mineirão, o torcedor começou a sentir no bolso o peso da nova realidade do futebol brasileiro. Nos estádios de Salvador e Belo Horizonte, os ingressos mais baratos têm custado R$ 35 e 30, respectivamente, a meia-entrada.

O custo está bem acima do valor ao qual os moradores das duas cidades estavam acostumados. No Mineirão, por exemplo, a última partida antes da reforma (Atlético-MG 0 x 1 Ceará, pelo Brasileirão), os ingressos da geral custaram R$ 5 (meia-entrada).

"Evidentemente há essa possibilidade de encarecimento dos ingressos, é um receio nosso", disse Rebelo. "Não queremos que a população mais pobre do País, mais ligada ao futebol, seja afastada dos estádios. É preciso compatibilizar o acesso entre eles e o torcedor de poder aquisitivo mais alto".

O ministro deu a entender que o governo federal pode tentar intervir com os administradores dos estádios para a criação de categorias mais baratas de ingressos, a exemplo do que aconteceu nas Copas das Confederações e do Mundo.

"Com a Fifa chegamos a um acordo com a criação de quatro categorias de ingressos (a 4 é a mais barata) e a doação de 50 mil ingressos da Copa de 2014 para beneficiários do Bolsa Família e indígenas".

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