Arte|Estadão
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Jesus faz sucesso e Gabigol padece

Ex-palmeirense tem adaptação rápida no City; ex-santista luta contra o banco de reservas

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2017 | 07h00

Na Europa, Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa, o Gabigol, são iguais apenas no primeiro nome. Enquanto o ex-palmeirense já conquistou o City com três gols em quatro jogos, o ex-santista esquenta o banco da Inter de Milão e teve poucas chances desde setembro. Ex-atacantes que passaram pelos campos europeus afirmam que as razões para a disparidade de desempenho vão desde as diferenças do futebol italiano e inglês até o estilo de jogo.

 “Não é fácil jogar na Itália. Tive dificuldades na minha primeira temporada. Eles valorizam trabalho técnico, tático, disciplina e chegam duro. Isso faz com que o jogador brasileiro se perca um pouco”, diz Paulo Sergio, que jogou na Roma entre 1997 e 1999. “A Inter não vem conseguindo resultados e isso aumenta a pressão para que um novo contratado se adapte rapidamente”, opina.

O cenário pode mudar nas próximas rodadas para Gabigol. Na Inter, os atacantes titulares Icardi e Perisic foram suspensos por dois jogos por insultar o árbitro no clássico contra o Milan. Isso pode abrir espaço para o ex-santista. Até agora, ele participou de quatro partidas pelo Campeonato Italiano e uma na Copa da Itália. Somados os minutos, atuou pouco mais de um jogo.Não fez gol nem deu assistência em jogos oficiais.

Mesmo assim, o treinador Stefano Pioli, da Inter, afirmou que conta com atacante brasileiro para o resto da temporada. “Gabigol ficará conosco. Estou muito satisfeito com a maneira como ele vem treinando.”

A saída por empréstimo do atacante na janela de transferências de janeiro eram favas contadas, mas ele vem se recuperando. Mostrou habilidade nos cinco minutos que jogou contra a Lazio e marcou seu primeiro gol no clube no amistoso contra o Real Linense. O pedido para não ser negociado e brigar por um lugar na equipe foi bem visto pelo treinador.

Em casa. Gabriel Jesus está em casa na Inglaterra. Desde sua estreia, ganhou espaço jogo a jogo e vários elogios do exigente técnico Pep Guardiola e até um música da torcida do City.

Seu estilo, baseado na velocidade e no drible, encaixa-se perfeitamente nas exigências da Premier League. A avaliação é de Juninho Paulista, um dos precursores da entrada de brasileiros na liga inglesa e hoje presidente do Ituano. “Se você se posiciona bem, tem muito espaço para jogar na Inglaterra. Esse é o cenário ideal para a velocidade dele”, diz Juninho.

O próprio atacante se surpreende com sua rápida apresentação. “Estou muito surpreso, embora eu trabalhe para que isso aconteça. Eu sinto que estou me adaptando muito bem a cada dia, com o apoio de todos”, disse Jesus ao site do clube.

Para o ex-atacante Bebeto, que jogou seis anos no La Coruña e no Sevilla, na década de 1990, a chave está nos rostos conhecidos que ele encontra. “Acho que o apoio dos companheiros tem sido fundamental. Já tem dois brasileiros lá (Fernandinho e Fernando). Eles são importantes para a adaptação.”

Jesus está indo tão bem que colocou no banco um dos ídolos do clube, Sergio Agüero. A diferença entre os dois é grande. Segundo levantamento da emissora Sky Sports, Jesus percorreu em média distância 16% maior que a do argentino a cada 90 minutos: 11,32 km contra 9,79 km. Em arrancadas, a vantagem do brasileiro é ainda mais considerável: 73 a 59, ou 23%, sempre por partida.

Os ex-atletas fazem alguns alertas para que Gabriel Jesus não seja apenas fogo de palha. Paulo Sérgio acha que é fundamental aprender a língua. “Ele vai dominar com facilidade a linguagem do vestiário, mas, para se firmar, é importante dominar o idioma deles”, diz, o ex-corintiano, que acabou de ser escolhido como um dos embaixadores da Bundesliga, a liga alemã.

Juninho Paulista chama a atenção para a preparação física. “Na Inglaterra, o jogador tem liberdade para aperfeiçoar a forma física. Ele tem de correr atrás, porque isso é fundamental para continuar bem.”

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