Jimmy acusa Figer, Pitta e Machado

Acusado pelo ex-jogador Careca de ter providenciado os dois passaportes falsos utilizados pelos atletas Jeda e Dedé, o empresário Afonso Martins Costa Filho, conhecido por Jimmy Martins, deu seqüencia -, nesta quinta-feira, na CPI da CBF/Nike, ao jogo de empurra-empurra pelo qual todos os envolvidos na irregularidade tentam se inocentar. Jimmy disse aos deputados que foi ludibriado pelos despachantes portugueses J. Caldeira e Domingos Djalo. Segundo ele, os dois teriam ligações com funcionários do serviço de imigração de Portugal que, por sua vez, dariam sustentação a um esquema de negociação de passaportes falsos.Ele informou aos deputados que intermediou a compra de "quatro ou cinco" passaportes portugueses, que julgava verdadeiros, mas não falou a quem os documentos beneficiariam.Jimmy Martins - que disse ter adotado esse pseudônimo em homenagem ao músico Jimmi Hendrix - assegurou várias vezes que não sabia que os documentos eram fajutos, embora cada um deles tenha custado cerca de US$ 8 mil. Jimmy disse que recebeu de Careca os R$ 40 mil para bancar as despesas com os passaportes de Jeda e de Dedé. O deputado Eduardo Campos (PSB-PE) lembrou que esses jogadores estão sendo processados na Itália, onde atuavam no Vicenza, pelo uso desses documentos. A CPI vai realizar nos próximos dias a acareação entre Careca e o ex-empresário.Por sugestão do advogado de Jimmy, Alberto Rollo, os deputados decidiram ouvi-lo em sessão fechada. Nessa fase do depoimento - de acordo com os parlamentares - ele falou que se sente amedrontado em falar à CPI porque tem condições de revelar fatos que deixariam grandes empresários, como Juan Figer, Reinaldo Pitta e Jorge Machado, em situação péssima. Sem apresentar provas, Jimmy disse que eles controlariam a convocação de boa parte dos jogadores da seleção brasileira, da Sub-20 e Sub-17. O presidente da CPI, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), já havia colocado que suspeitava desse fato, na seleção brasileira, no dia em que Juan Figer depôs.Na parte aberta do depoimento, o relator Silvio Torres (PSDB-SP), teve dificuldades em obter informações de Jimmy Martins, tantas foram as contradições apresentadas pelo empresário. Ele utiliza um cartão em que se apresenta como sendo um agente credenciado pela Fifa, mas não soube dizer como se mantém, nem de onde vem seu relacionamento com o advogado João Gonçalves, que contratou em Portugal. O deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP) disse que Gonçalves é também o advogado de Juan Figer naquele País. Jimmy disse que a última vez que falou com Figer - que no seu depoimento declarou que não o conhece - foi em 1998, na Copa da França.Juarez recorreu então aos números disponibilizados pela quebra do sigilo bancário para provar que Jimmy Martins ligou há poucos dias para o escritório de Juan Figer. Jimmy atribuiu a ligação ao fato de ser "muito amigo de Marcel", filho de Figer.A uma pergunta do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), ele negou que já tenha sido processado. Mas o parlamentar mostrou um documento obtido pela Polícia Federal comprovando que, em 1971, ele foi condenado a um ano e seis meses de reclusão, por peculato (delito praticado por funcionário público). Jimmy Martins disse que não se lembrava desse fato. A pedido do Dr Rosinha, a CPI vai requerer a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos últimos cinco anos das empresas de Juan Figer. O deputado também pediu ao Banco Central informações sobre empréstimos feitos pelo vice e pelo presidente do Atlético Paranaense, Ademir Adour e Mário Celso Petraglia, no Banestado, no Banco Itaú e na distribuidora Davelpar.

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