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Jô toca tantan enquanto Corinthians perde no Brasileirão: na folga, atleta tem esse direito?

Imagem correu as redes sociais: atacante está machucado e não foi relacionado para a partida diante do Cuiabá, fora de casa. Na festa em que estava o jogador, uma TV mostrava a partida do time paulista

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 10h22

A pergunta é simples: um jogador de futebol machucado, suspenso ou fora do jogo do seu time na rodada por algum motivo deve estar concentrado na partida que não vai atuar ou pode curtir as raras folgas com amigos, bebendo, tocando e cantando? Foi exatamente isso que aconteceu com o atacante , enquanto seu Corinthians perdia na TV por 1 a 0 para o Cuiabá. O vídeo das duas cenas, Jô curtindo a vida adoidado e os companheiros se matando para tentar empatar e abrir vantagem da liderança do Brasileirão, caiu na rede. Bastou para todos opinarem.

É preciso olhar a cena sob a luz do momento. O Corinthians lidera o Campeonato Brasileiro, apesar de se esforçar, em vão, para jogar bem. Ou seja: o time não está no buraco nem ameaçado de rebaixamento ou sob pressão. O ambiente é bom, mesmo a despeito de que o futebol não seja. Era noite, portanto, qualquer trabalho de recuperação ou tratamento que o jogador deveria fazer, ele fez durante o dia. Não se tem notícia de que Jô não cumpriu suas tarefas enquanto o grupo estava fora da cidade. Por fim, folga é folga e os trabalhadores do Brasil entendem isso ao pé da letra. Todos nós somos assim.

Ocorre que há alguns entendimentos da profissão, de jogador, que é preciso levar em consideração no futebol brasileiro e do próprio atleta em questão. Recentemente Jô sumiu do Corinthians para festejar seu aniversário no Rio. Ficou três dias fora. Sumidão. Se arrependeu, pediu desculpas e voltou como se nada tivesse acontecido.

Ele também recebeu um puxão de orelha para perder alguns quilinhos, já sob o comando de Vítor Pereira. O atacante andou fora de forma, sem mobilidade e jogando mal. Melhorou nos últimos meses. Há ainda a perseguição dos torcedores no futebol brasileiro. O barulho seria muito maior se o Corinthians estivesse mal na tabela. A torcida não entende isso. E acha que o jogador deve sofrer junto com o time em todos os momentos. Não deixa de ter alguma razão.

A Europa resolveu esse problema de forma fácil e inteligente. Todos os jogadores que não vão jogar acompanham o time nas partidas. É comum ver os atletas sentados na tribuna de honra do seu clube ou da equipe visitante. Isso acontece mais quando o jogo é em casa. Ocorre que lá ninguém dá esse mole que Jô deu.

A diretoria corintiana disse que vai analisar as imagens. Uma resposta padrão. O jogador tem contrato, portanto, nada vai acontecer. Talvez uma multa. Talvez. O Corinthians perdeu para o Cuiabá por 1 a 0 e pode perder a ponta da tabela na sequência da rodada. O jogo acabou perto da meia noite. Não se sabe a hora que Jô deixou de tocar e cantar.

Na lei, o clube nada pode fazer a não ser que tenha uma cláusula bem específica sobre isso. Duvido que tenha. Daí para frente, quem manda é o contrato. O jogador não precisa estar ligado quando seu time jogo. Pega mal, muito mal, mas não há lei que o obrigue a isso. A torcida está contente com a eficiência do time nas competições. O Corinthians vai bem na Libertadores e Copa do Brasil, e lidera o Nacional. Para mim, Jô deu mole.

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