Felipe Dana/AP
Felipe Dana/AP

João Havelange anuncia renúncia ao cargo de presidente de honra da Fifa

Dirigente oficializa saída da entidade para escapar de punições em escândalo de propinas

AE-AP, Agência Estado

30 de abril de 2013 | 09h00

ZURIQUE - João Havelange renunciou ao cargo de presidente de honra da Fifa, que anunciou oficialmente nesta terça-feira a decisão, mas o brasileiro já havia deixado o posto há duas semanas. O anúncio da saída ocorre depois de o dirigente ter o seu nome envolvido em um escândalo de corrupção que manchou de forma significativa a reputação da entidade que controla o futebol mundial.

O presidente da câmara decisória do Comitê de Ética da Fifa, Hans-Joachim Eckert, anunciou nesta terça, por meio de um comunicado, que o brasileiro de 97 anos de idade renunciou ao seu posto na Fifa no último dia 18 de abril.

E a renúncia oficial de Havelange ocorre no mesmo dia em que a Fifa publicou um relatório do seu Comitê de Ética sobre o caso de corrupção envolvendo a ISL, extinta empresa que foi parceira de marketing da entidade.

Com a sua decisão, Havelange se livrou de receber qualquer punição por seu envolvimento no escândalo da ISL, que declarou falência em 2001. Após suspeitas de corrupção levantadas há mais de uma década, o caso voltou a ser investigado pela Fifa depois que a rede britânica BBC publicou uma reportagem, no ano passado, denunciando que a extinta empresa de marketing subornou membros da Fifa para ganhar os direitos de transmissão de várias Copas do Mundo.

Havelange foi presidente da Fifa de 1974 a 1998 e um documento divulgado pela Justiça da Suíça recentemente também sugeriu que Joseph Blatter, que sucedeu o brasileiro no cargo, sabia sobre um pagamento de 1 milhão de francos suíços para o ex-mandatário da entidade em 1997.

O caso de Havelange também envolve Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, com pagamentos que totalizaram US$ 22 milhões entre 1992 e 2000. Pressionado pelas denúncias, Teixeira renunciou aos seus cargos no futebol no ano passado.

No relatório que apresentou nesta terça, Hans-Joachim Eckert escreveu que Havelange e Teixeira agiram com uma "conduta moralmente e eticamente reprovável", mas enfatizou que aceitar propina não era considerado um crime na Suíça na época do ocorrido. Ao mesmo tempo, o juiz alemão pontuou: "Entretanto, é claro que Havelange e Teixeira, como dirigentes de futebol, não deveriam ter aceitado qualquer dinheiro de suborno, e deveriam ter de devolvê-lo desde que o dinheiro estivesse em conexão com a exploração de direitos de mídia".

Também acusado de receber propina, o paraguaio Nicolás Leoz, de 84 anos, deixou a presidência da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) na semana passada, assim como o seu posto no Comitê Executivo da Fifa. A decisão também teria sido tomada para evitar possíveis punições, embora o dirigente tenha alegado razões de saúde para renunciar aos seus cargos no futebol. Ele teria recebido US$ 730 mil em subornos, mas nunca enfrentou uma investigação da Fifa.

Pelo fato de Havelange ter renunciado, Eckert disse, por meio do relatório publicado nesta terça-feira, que qualquer medida ou sugestão de punição a ser tomada contra o brasileiro teria caráter "supérfluo", e o mesmo acaba valendo para Teixeira e Leoz.

Agora oficialmente fora da entidade máxima do futebol mundial, Havelange já havia renunciado, em dezembro de 2011, ao posto de membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), do qual fez parte por 48 anos. Na época, ele também alegou problemas de saúde para a renúncia, mas a decisão teve claro caráter político, pois ocorreu dias antes de a entidade olímpica definir se iria suspendê-lo por causa das denúncias de corrupção durante a investigação sobre o caso da ISL.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.