Jogadores cobram salários da Lusa

A Portuguesa não paga os direitos de imagem de seus jogadores há três meses e, se não acertar pelo menos parte desse dinheiro nos próximos dias, dificilmente escapará do rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Paulista. Em 2002, caiu também para a Série B do Brasileiro.Normalmente, os problemas internos de um clube são guardados a sete chaves e resolvidos sem que ninguém saiba. Mas a crise na Lusa é tão grande que os jogadores, não agüentando mais tantas cobranças, trouxeram o problema a público, agitando ainda mais o ambiente no Canindé. Domingo, após a derrota para o União São João, Alex Alves não se conteve e desabafou. "A torcida fica cobrando da gente mas não vê que estamos há quatro meses sem receber os salários."A bronca do atacante não é um caso à parte. O problema afeta todos do elenco. Os casos mais complicados são o do atacante Edson Pelé e do volante Ricardo Lopes, que ainda não receberam o salário de abril de 2000 e têm pendências de 2002, assim como o meia Éder e Alex Alves."Ficar sem os salários afeta o lado psicológico, interfere no rendimento dentro de campo", afirmou o atacante Edson Pelé. "É complicado, temos nossa vida fora de campo, precisamos nos locomover, comer, pagar nossas dívidas. Acho que estamos sendo profissionais ao extremo."Edson Pelé não fala abertamente, mas dá a entender que está arrependido por ter aceitado permanecer na Lusa. "Tive algumas propostas no começo do ano e preferi ficar. Os dirigentes prometeram que iam acertar tudo, que ia ser diferente e...", lamentou. "Mas são só promessas, promessas."Basta comparecer ao clube para se notar, no rosto de cada atleta, a preocupação. O clima está pesado. Muitos chegam para treinar e mal abrem a boca. Preferem se isolar num canto, quietos. "Não chega a ser desânimo, mas a cabeça fica pesada. A gente tenta conversar no campo para esquecermos desses problemas, mas é complicado. Tudo que começa errado, sempre acaba errado", revelou Edson Pelé.Nesta segunda-feira, membros dos quatro poderes do clube - Conselho Deliberativo, COF, Presidência e Assembléia - se reuniram para tentar amenizar a crise. Porém, a solução parece ainda estar longe.

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