Albert Gea / Reuters
Albert Gea / Reuters

Jogadores criticam sugestão da liga espanhola de colocar elencos de licença

Atletas consideram que entidade deveria utilizar reserva financeira que deveria ter por 'medidas de controle econômico'

Redação, Estadão Conteúdo

05 de abril de 2020 | 17h15

Os jogadores que disputam o Campeonato Espanhol criticaram neste domingo a decisão da liga nacional de pedir aos clubes para colocá-los na licença do governo durante a crise do coronavírus.

A liga disse na sexta-feira que as licenças eram necessárias porque não havia acordo sobre o tamanho dos cortes salariais que os jogadores devem sofrer para reduzir o impacto financeiro da pandemia. "É estranho que La Liga apoie", afirmou a Associação dos Jogadores da Espanha em um comunicado.

Eles disseram que a liga deveria ter criado um colchão financeiro para este período considerando que sempre se gabou de suas "medidas de controle econômico" e da "economia equilibrada" dos clubes espanhóis. A associação declarou também que deve se levar em consideração que a liga foi temporariamente suspensa e ainda não cancelada.

A liga e a associação de jogadores estiveram em negociações para tentar encontrar maneiras para mitigar perdas que poderiam chegar a quase 1 bilhão de euros (aproximadamente R$ 5,78 bilhões) se a temporada não puder ser reiniciada por causa da pandemia.

Os jogadores disseram que concordam com uma redução salarial para ajudar os clubes durante a crise, mas não na medida em que a liga deseja. Os atletas disseram que querem continuar negociando diretamente com seus times, ao invés de forçosamente entrarem em licença.

"Os clubes e os jogadores chegaram a um acordo em relação ao salários", declarou a associação. "O que os jogadores de futebol não vão fazer é renunciar aos direitos trabalhistas".

Barcelona e Atlético de Madrid estão entre os clubes espanhóis que solicitaram a licença, mas ambos negociaram diretamente o valor da redução salarial com os jogadores - 70% em ambos os casos. Os times e atletas estão contribuindo para garantir que os salários dos demais funcionários não sejam afetados.

A liga havia dito que clubes e jogadores estavam distantes de um acordo sobre os cortes salariais. As reduções que estão sendo discutidas variaVam, dependendo dos clubes, e também se eles estavam jogando a Liga dos Campeões ou a Liga Europa.

As licenças do governo ajudam a reduzir os custos trabalhistas dos clubes, além de garantir aos jogadores seus empregos assim que a crise terminar. A Espanha tem mais de 130 mil casos confirmados de covid-19, com quase 12.500 mortes. A população deve permanecer em confinamento até 26 de abril.

Não há previsão para o retorno da liga espanhola, liderada pelo Barcelona a 11 rodadas do fim. Os jogadores mantiveram a posição de retomar a competição apenas quando as autoridades sanitárias considerarem seguro para todos, uma visão compartilhada pela liga espanhola.

"Nos reunimos com todos os capitães das equipes da primeiro e segunda divisões e a mensagem é clara: a saúde é mais importante do que qualquer coisa", disse David Aganzo, presidente da Associação dos Jogadores da Espanha. "Exigem segurança máxima para si, para suas famílias e para todos mais no mundo dos esportes".

A liga sugeriu que recomendaria as equipes retomarem os treinamentos enquanto a quarentena ainda estiver em vigor, se for possível fazê-lo dentro das restrições impostas pelas autoridades.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.