Jogadores da Seleção esbanjam alegria

Nada como a classificação assegurada ao Mundial para transformar o ambiente na seleção. No treino da tarde desta quinta-feira, sob intenso nevoeiro na Granja Comary, além de frio, o técnico Carlos Alberto Parreira e vários atletas riam à toa. Até mesmo nos lances errados e nas finalizações equivocadas. Tudo era motivo para gozações, brincadeiras, das quais ninguém ficava ausente.Numa disputa de bola dentro da área, o zagueiro Lúcio fez uma falta em Ronaldo, com um meio-carrinho. Se o lance ocorresse num jogo normal, não haveria a menor possibilidade de não assinalar o pênalti e pelo menos advertir Lúcio com cartão amarelo. Ronaldo ficou no chão e levantou as mãos para reclamar.Em vez de receber a solidariedade dos demais colegas, acabou ouvindo aplausos para Lúcio. Depois de um treino em que os atacantes saíam em trio do meio-de-campo para superar apenas dois defensores, Parreira dividiu o grupo e pediu que cada metade ficasse numa lateral do campo.Revezando-se em cruzamentos e cabeceios para o gol, os jogadores tinham a obrigação de concluir com precisão para se verem livres do exercício. Mas as bolas alçadas sobre a área muitas vezes chegavam distantes dos finalizadores. Aos poucos, isso foi provocando a irritação de alguns, como Ronaldinho Gaúcho. ?Fala sério, olha só onde vocês mandam a bola?, ele reclamou, ouvindo vaias dos demais.Ronaldo também protestava. Ele pedia ao zagueiro Luisão que facilitasse seu trabalho, acertando os cruzamentos. Quando isso ocorria, os goleiros pareciam se esforçar mais ainda para evitar o gol do atacante do Real Madrid.Parreira assistia a tudo sorrindo. Incentivava os atletas e depois de alguns minutos deu uma nova ordem: quem marcasse poderia ficar fora da atividade. Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo estavam sendo boicotados. Dificilmente uma bola vinha na direção deles. Acabaram ficando entre os últimos.Com medo de que a névoa impedisse a outra parte do treino ? um rachão de dois toques -, Parreira então decidiu acabar com o sofrimento da dupla e também de Roberto Carlos, outro que não recebia um bom cruzamento. Os três tiveram de ouvir novas vaias, puxadas por Cafu e Robinho.

Agencia Estado,

06 de outubro de 2005 | 19h59

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