Jogadores dão "bolo" para comemorar

A cena de 2002 se repetiu três anos mais tarde. Os jogadores da seleção, sempre tão disponíveis durante as competições, ignoraram a imprensa, esnobaram centenas de jornalistas do mundo inteiro e, para mostrar que compõem um grupo fechado, deixaram o Waldstadion como um bloco carnavalesco desfilando para si mesmo. Como se a platéia não existisse, como um bando de colegiais que procuram contrariar os ?adultos?. "Uh, tradição, o Brasil é campeão!" foi o refrão repetido dezenas de vezes pelos campeões da Copa das Confederações. Roque Júnior à frente, seguido de Ronaldinho Gaúcho no pandeiro. Os demais pareciam participar da brincadeira infantil "tudo que seu mestre mandar". Numa batucada mal-ajambrada, misturaram trechos de pagodes com velhas marchinhas carnavalescas. Microfones, canetas, gravadores, câmeras foram jogados para escanteio. O recado foi claro: a alegria pela vitória era apenas dos atletas, como se compusessem mundo à parte. E, afinal, pequeno. A festa teve desfecho patético, mas começou bonita. Primeiro, com os toques envolventes e os gols do Brasil, já no primeiro tempo, e que deixaram os argentinos grogues. Em seguida, atingiu o auge com a vibração de quase todos que estavam no banco de reservas cinco minutos antes do apito final do eslovaco Lubos Michel. A certeza de que a taça era da seleção era tão evidente que ninguém fez questão de manter a pose e lenços brancos eram agitados pelos jogadores. Carlos Alberto Parreira, como convém a um treinador de classe, não desgrudava os olhos do campo, parecendo atento às evoluções do time, já com 4 a 1 de vantagem. Tão logo acabou o jogo, todos invadiram o campo, se abraçaram e cantaram. Antes, ajoelharam-se no centro de campo para uma oração, assim como ocorreu na noite da conquista do pentacampeonato. Alguns jogadores, Atletas de Cristo, vestiram camiseta em que estava escrito: "Jesus loves you". Festa no tablado montado para a premiação e volta olímpica ao som de batucada. Aplausos do público, que só guardou vaia, unânime, quando foi anunciada a presença de Joseph Blatter, presidente da Fifa, para a cerimônia de encerramento. No teatrinho montado à saída dos vestiários, no que se convencionou chamar de zona mista, a seleção tinha o uniforme oficial, mas também uma camiseta com 13 listras, homenagem a Zagallo, o coordenador técnico que não pôde participar da aventura alemã porque se recupera de cirurgia. A festa dos jogadores invadiu a madrugada e na noite desta quinta-feira o grupo embarca de volta para o Brasil. Os ?estrangeiros? curtirão férias a partir de agora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.