SC Internacional
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Jogadores do Inter protestam por falta de pagamento e presidente reage: 'Aqui não tem vida fácil'

Alessandro Barcellos diz que já quitou parte das dívidas e aponta falha em comunicação com o elenco

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2022 | 22h37
Atualizado 01 de junho de 2022 | 22h37

O Internacional viveu uma quarta-feira de tensão. Os jogadores da equipe profissional boicotaram o treino da manhã em forma de protesto pelo não recebimento de valores referentes a direitos de imagem. Em alguns casos, os atrasos chegam a três meses e representam quase metade dos vencimentos dos atletas. As atividades foram retomadas no período da tarde.

"Encaminhamos que era importante esclarecer esse assunto e transferimos o treino para a tarde para que pudéssemos resolver essa situação com o grupo de atletas. Hoje pela manhã fomos surpreendidos com uma preocupação dos atletas em relação a uma parte daquilo que alguns recebem, que é o direito de imagem", afirmou o presidente Alessandro Barcellos, que indica que o Internacional já pagou uma parte da dívida com o elenco.

"Os jogadores têm o direito como todo trabalhador, tem direito a esse contrato de imagem. Não vou fazer juízo quanto ao direito. O que nos surpreendeu é que o assunto estava sendo resolvido. Duas parcelas das três foram quitadas", explicou o mandatário colorado em entrevista coletiva.

Antes, Taison compareceu à sala de imprensa e se manifestou contra alguns jornalistas que apontavam o experiente jogador como um dos líderes da greve no Internacional. O atacante usou palavras ríspidas, com palavrões e foi veemente ao negar que tenha qualquer papel de protagonista no movimento.

Alessandro Barcellos ressaltou a importância de contornar a situação o mais rápido possível para que não haja impacto esportivo na temporada. Classificado para as oitavas de final da Sul-Americana e da Copa do Brasil, o Internacional é apenas o 12º colocado no Campeonato Brasileiro.

"É um grupo novo, que tá se formando, se conhecendo. Temos realidades diferentes, foi bom até, pra deixar claro pra quem chegou. Aqui no Inter não tem vida fácil, não tem dinheiro sobrando. Temos que trabalhar para que isso não tenha maiores consequências. O momento é difícil, fomos desclassificados da Copa do Brasil. Estamos todos no mesmo barco e precisamos remar todos na mesma direção", indicou o mandatário, que também disse que a falta de comunicação interna pode ter sido decisiva para o protesto desta manhã.

ATLETAS NEGAM BOICOTE

Os jogadores divulgaram uma nota na noite desta quarta-feira, em suas redes sociais, para explicar a decisão de não treinar pela manhã. No texto, eles dizem que não se tratou de um boicote e sim de uma definição "em comum acordo" com a diretoria.

"Após alguns meses com valores em atraso, vínhamos conversando com o clube, sem vazar nenhuma informação, preservando a imagem da instituição e buscando solucionar de forma interna o problema. Hoje, em comum acordo, foi cancelado o treino da manhã para que a direção propusesse alguma solução concreta e definitiva", diz o trecho inicial.

O comunicado também ressalta o caráter coletivo do ato, em resposta às especulações de que Taison teria sido o responsável por articular a paralisação. Irritado com a situação, o atacante apareceu na sala de imprensa do CT durante a tarde e falou efusivamente com os jornalistas presentes, perguntando quem teria o apontado como "líder de uma rebelião".

"Essa decisão foi tomada em comum acordo entre grupo de atletas e diretoria, não havendo um boicote ou greve, mas sim um acordo entre todos. Importante salientar também que, por parte do grupo de atletas, a atitude foi aceita de forma unânime, não havendo um líder. Pensamos de forma coletiva", afirma o grupo em outra parte da nota.

"Entrega, dedicação e vontade vencer nunca vai faltar da nossa parte, pois respeitamos muito essa instituição e o torcedor. Também gostaríamos de lembrar que, assim como todo e qualquer trabalhador, dependemos do nosso salário. Temos filhos, família e nosso compromissos para cumprir. Agradecemos à direção, que busca as soluções e equalizou parte dos vencimentos em atraso, além de dialogar sobre o valor ainda em aberto", finalizam.

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