Jogadores do São Paulo admitem cansaço

'É um ritmo muito intenso entrar em campo três vezes em sete dias', reclama o volante Hernanes

Giuliano Villa Nova, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2008 | 19h04

Os jogadores do São Paulo não escondem mais: apesar de só terem disputado 15 jogos este ano, já estão cansados. E, segundo eles, é o desgaste que está atrapalhando o desempenho do time no Paulistão e na Libertadores. "No último sábado (derrota por 2 a 0 para a Portuguesa), queríamos correr e reagir, mas não havia possibilidade", revelou o volante Hernanes. "É um ritmo muito intenso entrar em campo três vezes em sete dias." Veja também: Dagoberto disputa coletivo e deve voltar ao time nesta quarta Na visão dos jogadores são-paulinos, é o excesso de jogos que fez o time cair na classificação do Campeonato Paulista - está em quinto lugar, fora do grupo que passa às semifinais. "Algumas equipes têm feito, em média, apenas um jogo por semana", afirmou o preparador físico do São Paulo, Carlinhos Neves. "A única forma de resolver esse problema seria o revezamento de jogadores." O drama atormenta os são-paulinos porque o prazo de inscrição no Paulistão já terminou - o lateral Eder e o meia-atacante Eder Luiz, ambos recém-contratados, só podem jogar na Libertadores - e o departamento médico acumula contundidos: o volante Fábio Santos tem um estiramento muscular, o zagueiro Alex sofreu torção no tornozelo, o também defensor Alex Silva se recupera da lesão no joelho e o lateral Reasco sente dores na perna direita.  "Estamos fazendo tudo o que é possível, em termos de fisiologia, de preparação e recuperação dos jogadores", explicou Carlinhos Neves. O elenco também garante que está fazendo o que pode, mas alguns jogadores admitem que o fôlego está faltando nas horas decisivas, o que prejudica a marcação, uma das principais características do time do São Paulo nos últimos dois anos. "Percebemos que muitas vezes fica um buraco entre o ataque e o meio-campo e entre o meio e o ataque", avaliou Hernanes. "Este ano, estamos sofrendo para fazer os gols, como em 2007, mas o adversário não está sofrendo tanto para fazer gols na gente." SEMANA DECISIVANa volta aos treinos, nesta segunda-feira à tarde, o discurso foi o de que os próximos dois jogos - contra o Barueri, quarta-feira, e o Palmeiras, no domingo -, decidirão a sorte são-paulina no Campeonato Paulista. Desgaste extra à vista, considerando que em seguida o time vai até o Paraguai, para um duelo decisivo, contra o Sportivo Luqueño, no dia 20, pela Libertadores.  "Enquanto não tivermos um calendário mais adequado às necessidades dos times, corremos o grande risco de lesões", disse Carlinhos Neves. Para o preparador físico do São Paulo, o calendário ideal teria cerca de 60 jogos por ano, com a média de dez jogos por mês, sendo 30 dias de pré-temporada e um mês de férias, em dezembro.  "Teríamos uma semana com jogos às quartas-feiras, outra com esse dia livre", comentou Carlinhos Neves, ao expor seu calendário ideal. "Assim, seria possível recuperar e descansar os jogadores, e condicioná-los em momentos adequados." Ninguém no clube comenta, porém, que o planejamento da diretoria foi equivocado nesta temporada. As contratações feitas este ano não supriram a saída de jogadores que fizeram parte do elenco bicampeão brasileiro e os atletas que chegaram, com condicionamento físico abaixo dos demais, sofrem mais com o início do ano - casos de Juninho, Joilson, Carlos Alberto, Fábio Santos e Adriano. Além disso, dois reforços chegaram depois de encerrado o prazo de inscrição no Paulistão - Eder e Eder Luiz. "Talvez o planejamento não tivesse previsto tantas lesões como as que temos sofrido", afirmou Hernanes. "Pelo que ganhamos nos últimos anos, todos esperam muito de nós, mas não temos como fazer as coisas fora da nossa capacidade física."

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