Jogadores e dirigentes cobram punição a 'vândalos' em estádios

Ex-jogadores César Sampaio e Zinho, hoje dirigentes, não querem que apenas os clubes sejam punidos

Fábio Hecico, Agência Estado

09 de dezembro de 2013 | 18h01

SÃO PAULO - As cenas da briga entre torcedores do Atlético-PR e Vasco, no último domingo, chocaram as pessoas envolvidas com o futebol. E muitos pedem um basta à violência e cobram punições severas aos envolvidos. Eles não querem que apenas os clubes acabem levando suspensões e pedem cadeia aos torcedores vândalos.

"É lamentável para nós, que vivemos do futebol. Precisamos de providências mais drásticas, dar um basta para essas pessoas que nem podemos qualificar como torcedores. As autoridades têm de ser mais severas, punir os vândalos de verdade", cobra o ex-jogador César Sampaio, agora dirigente do Joinville.

Zinho, gerente de futebol do Santos, também alerta que não é correto apenas os clubes serem punidos. Durante o Brasileirão, o próprio Vasco, Corinthians, São Paulo, Cruzeiro e Atlético-PR foram penalizados com a perda de mandos de campo por brigas de seus torcedores.

"Eles (briguentos) ofuscaram mais uma rodada e entristecerem todos os apaixonados por futebol. É lamentável, precisamos ter uma punição muito severa para os envolvidos na briga. Não adianta punir os clubes", dispara. "Dá muito bem para identificar os envolvidos, prende, coloca na cadeia, bane as torcidas organizadas, que de organizadas não têm nada. Só com punições severas estas cenas deixarão de acontecer."

Os jogadores também começam a se revoltar com a postura de seus torcedores. "Essa violência atrapalha muito também dentro de campo. Os jogadores querem dar espetáculo e veem a torcida se agredindo. Isso tem de acabar no futebol", cobra o zagueiro Dedé, do Cruzeiro, que viu duas organizadas do time brigando no clássico com o Atlético-MG e depois na festa pelo título.

"Foi uma barbaridade. Espero que as autoridades tomem providências severas. Somos a sede da Copa do Mundo e temos de dar exemplos", endossa o zagueiro Rodrigo, do Goiás.

O goleiro Fábio até teve de mudar seu voo para São Paulo, onde recebeu a Bola de Prata da ESPN em parceria com a Revista Placar, para não se envolver em confusão com os torcedores do Atlético-MG, que foram prestigiar o time no embarque de Belo Horizonte para o Marrocos, onde joga o Mundial. "Alguns não sabem discernir e tentei evitar confusão. No aeroporto, sempre tem um cruzeirense que quer uma foto, um autógrafo e o clima podia ficar ruim", afirma.

Fábio também pediu mudanças nas leis contra os "torcedores infiltrados". "Infelizmente as leis não favorecem quem quer levar família aos estádios. Têm de usar essas coisas negativas para mudar o futebol. Criar leis que punam os vândalos, não só perto dos estádios, mas também no deslocamento."

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