Jogadores já sentem ?desfalque? de Leão

O técnico Emerson Leão não é o único revoltado com o gancho de 60 dias que o impedirá de comandar o São Paulo, do banco de reservas, em quase todos os jogos restantes do Campeonato Paulista e outros da Libertadores. Os jogadores também estão chateados com o "desfalque" do técnico, principalmente nos clássicos que vêm pela frente, a começar pelo Palmeiras, domingo à tarde, no Morumbi. "A gente tem que aprender a saber lidar com essa nova situação. A primeira atitude dele foi juntar os jogadores e conversar. Pediu para que continuemos fazendo tudo o que já fizemos até agora. Mais do que nunca, o momento é de união. Unir ainda mais os jogadores para superar esta dificuldade", explica o lateral Cicinho.O departamento jurídico tentou aliviar a pena do treinador. No entanto, o TJD negou o pedido de efeito suspensivo e Leão terá de aguardar até dia 1° de março para um novo julgamento. "O Leão costuma cobrar muito nos 90 minutos. Não deixa o time relaxar. Será bem diferente", afirmou o volante Josué. "Sempre é melhor ter o comandante perto. Ele dá indicações durante o jogo. Temos que ter atenção redobrada", completa o zagueiro Lugano.Com Leão fora de ação, o "treinador", pelo menos na beira do campo, será o preparador de goleiros e auxiliar-técnico Pedro Santilli. A mudança para os jogadores não será tão grande assim, se levarem em conta a cobrança dos dois. Santilli tem o mesmo gênio forte de Leão. "Ele é tão exigente e também fala tão alto quanto o Leão. Vai dar uma briga boa", brinca Cicinho. Pior para Grafite, que pensou que estaria livre das duras durante os jogos. "O Leão sempre fica gritando ali na beira do gramado, corrigindo o posicionamento do pessoal lá atrás, no meio-de-campo e do ataque também. Ele fica gritando para o Tardelli e eu voltarmos para ajudar na marcação."Bico fechado - Apesar de Emerson Leão não gostar nada de utilizar o rádio para passar as informações, Grafite vê um lado positivo nisso tudo. "Ele estará lá no alto e poderá enxergar melhor o que acontece dentro de campo." Mas Leão não gosta dessa idéia. Para o treinador, nada nem ninguém pode substituí-lo à beira do campo. Nos bastidores do clube ainda existe a esperança de que possa acontecer uma reviravolta até a véspera da partida e que Leão possa comandar o time do gramado. Só não se sabe o que poderia relaxar a pena do técnico.Mesmo assim, a punição do técnico serviu de exemplo para os jogadores, que pensarão duas vezes antes de bater boca com o árbitro ou dar alguma declaração que possa prejudicar suas carreiras. "Temos de parar e pensar melhor antes de agir. Não podemos ser ainda mais prejudicados", ressalta Cicinho. "Temos de entrar em campo tranqüilos e deixar qualquer coisa que prejudique o São Paulo para a diretoria resolver."

Agencia Estado,

17 de fevereiro de 2005 | 19h10

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