Jogadores não cantam parabéns a Robinho

O bolo de chocolate que havia sido preparado para a festa de aniversário de Robinho ficou intacto no restaurante em que a Seleção fez todas as suas refeições no Hotel O´Higgins. Os jogadores jantaram em silêncio no domingo e não houve clima para cantar "Parabéns a você" ao atacante santista. O silêncio continuou quando eles subiram para o segundo andar. As portas dos quartos ficaram fechadas e do corredor não se ouvia sequer o som de televisões ligadas. Antes da eliminação, as portas ficavam abertas e era freqüente o trânsito de um apartamento para o outro. No meio do silêncio, o telefone celular do assessor de imprensa Rafael Fernandes tocou. Era Kaká, que viu o jogo em Milão poucas horas depois de fazer dois gols na vitória por 5 a 0 sobre o Ancona e ligou para falar com Ricardo Gomes. "O Kaká está tão arrasado como se tivesse participado do jogo", contou Rafael. Não é para menos. Estrela da geração, ele era o capitão, artilheiro (fez sete gols em 10 partidas ano passado) e melhor jogador da Seleção Sub-23. A CBF brigou até onde pôde para convencer o Milan a deixá-lo jogar o Pré-Olímpico, mas o sucesso que está fazendo na Itália levou o clube a não liberá-lo. Kaká não se envolveu na briga, mas contava com a classificação do Brasil para se juntar ao time em Atenas e lutar para fazer história conquistando a medalha de ouro. Por isso doeu tanto ver pela tevê o sonho acabar. O telefone celular de Branco também tocou. Do outro lado da linha estava Ricardo Teixeira. "É lógico que o presidente está muito decepcionado. Todo o trabalho foi por água abaixo em 90 minutos." Talvez para evitar polêmica, ele não entrou em detalhes sobre os comentários que o presidente da CBF fez sobre a partida. Branco e alguns integrantes da comissão técnica estão preocupados com o bombardeio que cairá sobre Ricardo Gomes no Brasil, por considerarem que não é correto crucificar o treinador. "Infelizmente as coisas são assim no Brasil. É claro que a paulada vai ser em cima dele. E o Ricardo não merece isso", afirmou. "O Ricardo foi homem pra caramba ao assumir toda a responsabilidade para preservar os meninos. É duro saber que vão bater pesado num cara tão decente como ele", disse o fisioterapeuta Odir Carmo.

Agencia Estado,

26 de janeiro de 2004 | 17h30

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