Lucas Baptista/Futura Press
Lucas Baptista/Futura Press

Jogadores questionam sindicato paulista sobre direito de arena

Grupo de 16 atletas querem repasse imediato e fim dos descontos

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2015 | 07h00

A falta de transparência em relação ao repasse dos valores referentes aos direitos de arena levou um grupo formado por 16 jogadores que atuam ou atuaram em clubes paulistas a questionar o Sapesp (Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo). Eles acionaram o sindicato por meio de uma notificação extrajudicial em que exigem informações claras e detalhadas sobre os pagamentos feitos, descontos realizados e ainda pedem que os valores sejam repassados integralmente.

A notificação foi protocolada em cartório no último dia 14, depois que, de acordo com os jogadores, o sindicato negou-se a receber o documento. Existe a desconfiança de cobranças indevidas, por isso o pedido do detalhamento.

No documento, os jogadores alegam que "não têm tido o retorno esperado para o efetivo exercício dos direitos da categoria profissional". "Com essa notificação, estamos procurando o que é melhor para nós. Não compreendemos bem como é esse procedimento (de repasse dos valores e dos descontos feitos) e queremos uma clareza maior", disse ao Estado o meia Adrianinho, da Ponte Preta, um dos signatários da notificação.

Desde meados da década passada, o Sapesp - que há 18 anos tem como presidente o ex-goleiro do Palmeiras Rinaldo Martorelli - passou a se encarregar do repasse aos atletas dos valores referentes ao direito de arena (5% da receita dos clubes provenientes da exploração de direitos desportivos audiovisuais).

Antes, era o clube o encarregado de fazer o repasse aos jogadores. Mas muitos davam calote e, por isso, os sindicatos, em vários estados brasileiros, tomaram para si essa função.

No entanto, agora os atletas reclamam da falta de transparência em relação aos valores que recebem e também de descontos não autorizados e indevidos. Além da demora do repasse do dinheiro. "O campeonato acaba em dezembro e o sindicato demora de três a quatro meses para enviar o dinheiro. E não há correção", revelou Adrianinho, dando como exemplo o Brasileirão. O repasse é feito de uma só vez.

Inconformados, os 16 atletas decidiram reagir. E, além de desautorizar qualquer desconto sobre os valores de seus direitos de arena, exigem o repasse imediato e integral do que lhes é devido com atualização monetária, juros e qualquer ganho financeiro obtido a partir de investimentos feitos com o dinheiro dos direitos.

Também pedem que sejam enviadas a eles uma "prestação de contas detalhada", por partida, sobre todo o direito de arena que o Sapesp recebeu em nome dos atletas, com indicação de descontos e justificativas. Requerem ainda documentos referentes à estrutura e organização do sindicato, demonstrações contábeis e suas eleições.

O Estado procurou o Sapesp. Por meio de uma nota oficial, enviada por sua assessoria, Martorelli informou apenas que "a entidade está preparando todo o procedimento e dará detalhes no momento oportuno". O prazo estabelecido na notificação para que os atletas sejam atendidos foi de 10 dias.

Além de Adrianinho, assinaram o documento os corintianos Cássio, Bruno Henrique, Renato Augusto e Vagner Love; os santistas Renato e Ricardo Oliveira, além do ex-santista Elano; Fernando Prass, do Palmeiras; Bolívar (ex-Portuguesa); Fernando Bob, da Ponte Preta; e Douglas Friedrich, do Bragantino, entre outros.

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