Jogar no Parque Central deixa o São Paulo preocupado

Acanhado estádio uruguaio deve aumentar as dificuldades do São Paulo para o jogo contra o Nacional

Marcius Azevedo, Jornal da Tarde

28 de abril de 2008 | 20h10

Um ambiente hostil. Assim é o Parque Central, em Montevidéu. O acanhado estádio promete ser uma dificuldade a mais para o São Paulo na primeira partida contra o Nacional (Uruguai), quarta-feira, pelas oitavas-de-final da Libertadores. Jogando lá, o time uruguaio ganhou os três jogos que disputou na atual edição da competição continental.  Mais do que isso: o Nacional venceu sete das últimas sete partidas (com um empate) que fez pela Libertadores. Um aproveitamento de 91,6%. Neste período, ainda bateu dois times brasileiros: fez 3 a 0 no Flamengo, na atual edição, e 3 a 1 no Internacional, no ano passado. O bom retrospecto em casa está baseado no clima hostil que os torcedores criam para os adversários. Os uruguaios não deixam de incentivar seu time em nenhum momento. Tanto que os dirigentes do Nacional preferiram mandar o jogo lá (onde cabem cerca de 20 mil pessoas) do que ganhar mais dinheiro utilizando o Centenário, principal estádio do Uruguai, que pode abrigar até 75 mil pessoas.  "É complicado jogar lá. Eles [torcedores] ficam em cima o tempo todo, não param um minuto", lembrou o meia Jorge Wagner, que jogou no Parque Central em 2006, quando estava no Internacional. Aliás, o time gaúcho foi o último que foi ao estádio e conseguiu uma vitória pela Libertadores - venceu por 2 a 1. A preocupação fez o técnico Muricy Ramalho reunir o elenco são-paulino para conversar nesta segunda-feira. Além do posicionamento tático do rival, ele alertou para outro perigo: os gandulas. Apenas nesta Libertadores, os garotos que trabalham no Parque Central conseguiram "cavar" duas expulsões. A primeira vítima foi o flamenguista Toró, que recebeu o cartão vermelho por empurrar Nicolas, um dos gandulas. Depois foi Romaño, jogador do Cienciano (Peru), que levou um amarelo após cair na provocação de outro dos meninos do Nacional. Mais tarde, foi expulso. "O gandula é orientado para provocar jogadores. Não podemos cair nessa", disse Muricy. "Temos que agir naturalmente. Até porque, na hora, de cabeça quente, é difícil se controlar." Jorge Wagner confirma o pedido do treinador para tomar cuidado com os gandulas do Parque Central. "Ele pediu mesmo. Não podemos perder um jogador por causa disso", lembrou o jogador. Para completar, o time do Nacional costuma se aproveitar das dimensões reduzidas do gramado do estádio (105 metros por 70 metros) para fazer uso da bola aérea. Outro agravante é o atacante Richard Morales, que tem 1,96m e é um bom cabeceador.  "É um campo apertado, de dimensões reduzidas. As jogadas de bola parada ganham ainda mais importância", alertou o volante Zé Luís. Jorge Wagner concorda: "Temos que tomar muito cuidado. Eles fazem uso desse artifício por causa do gramado."

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