Jogo à tarde não afasta o público

Deixar as contas para o dia seguinte, sair do serviço mais cedo ou adiar a tarefa escolar. Com envelopes em punho, malas executivas nas mãos e mochilas nas costas, muitos torcedores desligaram-se de suas obrigações para assistir a Corinthians e Atlético-PR, na tarde desta quinta-feira, no Pacaembu. O novo horário do futebol, às 15 horas, para economizar energia, dividiu as opiniões, mas não afastou o público. Estiveram presentes ao estádio 10.964 pessoas.Osvaldo Attuati inovou para ver a partida. Como não tinha com quem deixar seu cachorro, levou o animal ao estádio. "Vou pagar R$ 5,00 a um ambulante para tomar conta do Rei (nome do cão)", revelou. Para não perder o jogo, o office-boy Rodrigo Amaro Leite, de 18 anos, ?fugiu? do escritório de advocacia no qual trabalha, no Bom Retiro. "O doutor Carlos pediu que eu pagasse umas contas no banco. Peguei o serviço e não fiz, vim direto para cá," admitiu. "Ele vai endoidar comigo. Este horário de jogo é complicado, mas faço tudo pelo Corinthians", justificou.Já o contador Fernando Dias dos Reis e o vendedor José Marcos usaram o ?jeitinho brasileiro? para poderem ir ao Pacaembu. Para eles, encarar as longas filas das bilheterias foi pouco perto do ?sacrifício? que tiveram de fazer para sair mais cedo do trabalho. "Mudei todos os horários de visitas e vendas e vim correndo," disse José Marcos. "Aproveitei o fato de meu encarregado ser corintiano e pedi dispensa do período da tarde. Se eu fosse palmeirense, ele não liberaria," contou Fernando Reis. "O problema é que jogo neste horário faz muita gente faltar ao serviço e, uma hora ou outra, a paixão pelo time pode ocasionar a perda do emprego," completou o contador.Os amigos de escola Clara Coelho, Nunila Katz, Caue de Abreu, todos de 14 anos, e Mario Oliveira, Guilherme Bucheb e Daniel Salin, de 15, estavam radiantes. "Este horário é bom para a gente. Nosso pai libera," comemorou Salin. "Cheguei em casa, joguei a mochila e vim. Nem almocei", disse Clara, ainda vestida com o uniforme do colégio. Deixaram as tarefas para depois do jogo, mas juraram não ter ?matado? aula.Comemoração - A Polícia Militar, que tinha o coronel Rêgo e o major Marinho no comando deste jogo no Pacaembu, gostou do novo horário. Não houve nenhum incidente com torcedores, que, mesmo na fila de ingressos, com a partida já em andamento, foram pacientes. O vendedor de camisas Fábio Luís também vibrou com a novidade. "O movimento está bom, vendi mais camisas do que na partida de ontem (quarta-feira), entre Palmeiras e São Caetano (no Palestra Itália). E corro pouco risco, pois à noite já fui assaltado algumas vezes por torcedores.

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