Hélvio Romero/Estadão
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Mauro Cezar Pereira
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Jogo bem jogado

São Paulo x Corinthians representou um avanço em meio à mediocridade técnica e propostas conservadoras

Entrevista com

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2020 | 04h00

Não teve gol, mas teve futebol. Bom futebol. São Paulo e Corinthians ofereceram ao público na noite de sábado uma partida de qualidade superior à média do que é apresentado costumeiramente pelas equipes do país, inclusive nos sempre esperados clássicos. Os 90 minutos de peleja no Morumbi com 44 mil torcedores tiveram boas jogadas e times desejando a bola e por ela brigando. Vimos muitas chances criadas em lances bem tramados, estratégias dos treinadores que muitas vezes se aproximavam, teve emoção.

Se Fernando Diniz e Tiago Nunes puseram em campo seus times com o objetivo de jogar futebol com desejo pela pelota, o árbitro Douglas Marques das Flores não foi capaz de fazer o mesmo. Indeciso, ainda deixou de dar pênalti para os tricolores nos acréscimos.

Os técnicos não priorizaram as defesas, como já fizeram tantos em duelos como este “Majestoso”, e em outros clássicos envolvendo mais clubes. Não por acaso houve equilíbrio na posse de bola e no número de passes trocados durante o jogo inteiro.

A formação são-paulina era a de sempre, sem Antony e Igor Gomes. Ambos ficaram fora dos primeiros compromissos da temporada porque serviam à seleção sub-23 que foi à Colômbia buscar a classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Mas o Corinthians entrou no gramado com um “onze inicial” inimaginável nos tempos dos antecessores de Tiago. Entre os titulares estavam Luan, Yony González, Vágner Love e Mauro Boselli, um meia ofensivo e três atacantes aliados a dois volantes técnicos, Cantillo e Camacho.

A escalação já bastava para confirmar as intenções corintianas. Isso na casa do rival e apenas três dias depois da absolutamente frustrante eliminação da Libertadores, quarta-feira, em Itaquera, onde o pequeno Guaraní paraguaio saiu mais uma vez classificado, como em 2015.

Luan pela direita, Yony aberto pela esquerda, Love à frente se movimentando e Boselli no comando do ataque. Tivesse o argentino em jornada minimamente inspirada, fatalmente o Corinthians teria marcado pelo menos uma vez, como na chance perdida instantes antes do intervalo.

Se do lado alvinegro o centroavante não estava em noite feliz, os tricolores lamentam ainda mais a falta de pontaria de Alexandre Pato. O toque de Vítor Bueno o deixou diante de Cássio no segundo tempo, mas o camisa 7 falhou e o goleiro desviou levemente, evitando o tento.

Antes, na etapa inicial, Pablo e Hernanes também não conseguiram aproveitar ótimas oportunidades, criadas em boas tramas de pé em pé. O experiente meia, por sinal, mostrou mais uma vez que, hoje, não pode ser titular. O time cresceu quando Igor Gomes entrou em campo.

O jovem meia, por sinal, foi quem sofreu a penalidade máxima não assinalada pela arbitragem. Camacho o empurrou nas costas, lance parecido com a falta perto da área tricolor (Vítor Bueno sobre Pedrinho), que Douglas Marques das Flores marcou instantes antes.

Não fosse a falta de pontaria dos homens que tiveram as melhores oportunidades, a noite de belas atuações dos goleiros Cássio e Tiago Volpi, além dos equívocos da arbitragem, o bom clássico também teria gols. Sem eles, deixou a torcida com a sensação de que faltava algo.

No entanto, mesmo não sendo completo, ou seja, sem o momento mais emocionante do futebol, o clássico foi bem superior ao que técnicos e jogadores costumavam apresentar a todos nós. Fernando Diniz e Tiago Nunes puseram em campo times para jogar, sem covardia, sem rejeição à bola. Um avanço em meio à mediocridade técnica e propostas de jogo conservadoras tão comuns nos últimos anos.

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