Estevão Germano/América e Bruno Cantini/Atlético
Estevão Germano/América e Bruno Cantini/Atlético

Jogo entre Atlético e América-MG marca duelo de compadres entre Levir e Givanildo

Amigos desde os anos 1970 e vizinhos em BH, os treinadores disputam a liderança do Estadual

Leandro Silveira, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2019 | 04h30

Dois compadres vão se encontrar neste domingo no Mineirão. Eles são vizinhos, mas vão separados ao estádio. Em jogo que vale a liderança do Campeonato Mineiro, os amigos de longa data Levir Culpi e Givanildo de Oliveira estarão temporariamente em lados opostos no confronto entre Atlético e América, ocupando as respectivas áreas técnicas.

Os veteranos treinadores – Givanildo está com 70 anos, quatro a mais do que Levir – moram no mesmo hotel e convivem de perto no futebol desde a década de 1970, quando atuaram juntos pelo Santa Cruz, naquele que é considerado o maior time da história do clube pernambucano, semifinalista do Brasileirão de 1975. "Aprendi muitas coisas sobre futebol ao lado de craques. Givanildo era o capitão do Santa Cruz e foi convocado para a seleção nos anos 70", disse Levir, ao Estado, relembrando o período em que ele foi zagueiro do Santinha, de 1974 a 76, sendo campeão estadual no último ano.

Essa passagem também foi produtiva fora de campo, com Levir aproveitando o período de afastamento por causa de uma lesão para estudar Educação Física, além de estreitar os laços com Givanildo. O incansável meio-campista se consagrou como um dos ídolos históricos do clube em duas passagens, de 1969 a 1976 e entre 1977 e 1979. E faturou sete Estaduais com a camisa tricolor no período, também vencendo o Torneio Bicentenário dos EUA e a Taça do Atlântico pela seleção.

"É uma amizade que continua. Normalmente, quando me perguntam do treinador rival, eu não posso dizer que sou amigo dele. Mas do Levir eu posso dizer sou amigo dele, isso eu posso afirmar", diz Givanildo.

A identificação que teve no Santa Cruz se repete hoje como técnico do América, enquanto Levir é um dos principais treinadores da história atleticana.

Eles se aproximaram novamente no segundo semestre do ano passado, quando foram contratados pelos clubes de Minas com objetivos claros no Brasileirão: evitar o rebaixamento do América e classificar o Atlético à Libertadores. Só Levir conseguiu a façanha. O América caiu.

Ambos, porém, permanecem em Belo Horizonte. "Hoje estamos morando no mesmo hotel na cidade, ele treinando o América e eu o Atlético, pode? Já estamos curtindo nossos netinhos e também uma amizade que está próxima de ser cinquentenária", comenta Levir.

Em mais uma coincidência nas trajetórias dos dois, ambos estão na quinta passagem pelos respectivos times, sendo que Givanildo é o segundo técnico que mais vezes comandou o América (251 vezes) e Levir ocupa o terceiro posto na lista dos que mais treinaram o Atlético (313).

Só que apenas uma vez eles se enfrentaram no comando das equipes mineiras. Foi em 2015, com triunfo americano: 2 a 1. Até por isso, Levir prefere desconversar ao apontar as qualidades do rival. "As virtudes que vejo nele talvez sejam os meus defeitos", brinca. O perdedor certamente pagará o jantar.

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