Jogo marca a volta de torcida organizada

A bandeira erguida atrás do goleiro Marcos - com as figuras do Incrível Hulk e a versão esverdeada do Mancha Negra estampadas - é um sinal: a torcida organizada Mancha Alviverde - sucessora da extinta Mancha Verde - voltou às arquibancadas do Parque Antártica. Um acordo entre a Federação Paulista de Futebol, o Ministério Público e a diretoria da uniformizada permitiu que 1.500 torcedores associados retirassem ingressos para a partida contra o Paulista pelo preço de R$ 10 - metade do valor cobrado durante o campeonato.Os torcedores da Mancha, assim como os das outras organizadas, estavam proibidos de freqüentar os estádios desde agosto de 1995 - quando o gramado do Pacaembu transformou-se na arena de um violento confronto entre torcedores do Palmeiras e do São Paulo, após a final de um campeonato de juniores. A volta da maior uniformizada palmeirense só foi possível mediante o cadastro de todos os torcedores que retiraram os ingressos promocionais. A arquibancada atrás do gol foi reservada a eles. "Como eles pagaram menos, também assistirão ao jogo de um setor menos favorecido", explicou o coronel Marcos Marinho, do 2º Batalhão de Choque, responsável pela segurança no estádio.Segundo ele, a volta da Mancha deve desencadear um retorno gradativo das outras organizadas. "Todas elas vão nos procurar. Se aceitarem os termos das exigências impostas pela federação e pelo Ministério Público, também poderão retornar às arquibancadas em breve."Violência não! - Para o diretor de harmonia da escola de samba da Mancha Verde, Paolo Bianchi, de 28 anos, a volta da torcida reflete o reconhecimento do trabalho da diretoria da uniformizada. "Há cinco anos a gente trabalha no intuito de promover festas e coibir a violência nos estádios. A gente nem se importa em ficar atrás do gol, isso é o de menos. O mais importante hoje é a conquista do direito de vestir nossa camisa. Não é porque a gente veste uma determinada camisa que temos que ser tratados como delinqüentes. E isso foi provado hoje: fomos cadastrados e a federação sabe onde achar todos aqueles que pagaram R$ 10 pelo ingresso."

Agencia Estado,

27 de março de 2004 | 19h09

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