Joinville escolhe jogadores com 'cara de Série B' e encerra jejum

Para acabar com o jejum de 28 anos longe da Série A, equipe começou a traçar o seu planejamento em dezembro de 2013

Raphael Ramos, enviado especial a Florianópolis, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2014 | 17h00

Não foram poucos os que apostaram que esse ano o Vasco repetiria o que ele e outros grandes clubes já haviam feito quando disputaram a Série B do Campeonato Brasileiro: conquistaria o título sem sustos. Passadas 38 rodadas, o campeão foi o Joinville, o Vasco penou para voltar à Primeira Divisão e ficou apenas com a terceira vaga.

Para acabar com o jejum de 28 anos longe da Série A do Brasileiro, o Joinville começou a traçar o seu planejamento em dezembro de 2013. E a primeira providência foi contratar jogadores com características específicas para disputar a Segundona. “Definimos um perfil de atleta que pudesse suportar as dificuldades da Série B, que é um campeonato que exige muito da parte física. Então, fomos atrás de jogadores com força, velocidade e resistência. Durante o Estadual fizemos um desenho da equipe para chegarmos à Série B com entrosamento e depois buscamos apenas contratações pontuais”, conta o técnico Hemerson Maria.

A estratégia deu certo. O Joinville foi a equipe mais regular da Série B. O time só ficou fora do G-4 em duas rodadas, foi a equipe que mais tempo permaneceu na liderança e teve a defesa menos vazada, com 33 gols sofridos. “Numa competição longa isso é muito importante para o time não perder a confiança”, diz Hemerson.

O treinador é “cria” do Figueirense, onde jogou dos dez aos 20 anos e foi técnico das categorias de base de 2001 a 2011, e trabalhou no arquirrival Avaí por dois anos (2012 e 2013), mas é no Joinville onde vive a melhor fase da carreira. Com experiência de passagens por três dos maiores clubes de Santa Catarina, ele credita a boa fase à estrutura montada pelos clubes. “Eu vi de perto a evolução das equipes e sei que dar condição de trabalho para os atletas e a comissão técnica foi fundamental para o crescimento do futebol do Estado.”

Outro diferencial do Joinville foi contar em sua comissão com dois ex-jogadores de peso. O ex-volante César Sampaio é o superintendente de futebol e o ex-meia, Ramon, que fez história no Vasco, é o auxiliar técnico. "Já estamos montando o planejamento para 2015. Sabemos que será complicado disputar a Série A, mas estamos bastante confiantes", diz César Sampaio.

Para o Campeonato Catarinense, a folha salarial do clube será de R$ 400 mil. No Brasileiro, esse valor deve mais do que dobrar. "A base do time que disputará a Série A vai ser construída durante o Estadual. Não deixaremos o Catarinense de lado porque não ganhamos o Estadual desde 2001 e achamos que chegou a hora de acabar com esse jejum", diz o presidente Nereu Martinelli.

Com o acesso à Série A garantido, uma comitiva esteve no mês passado reunida com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, em Brasília, para solicitar apoio financeiro do governo federal para a ampliação da Arena Joinville. Hoje, a capacidade é de 15,9 mil lugares e o projeto de reforma prevê o aumento para 22.690 lugares. A obra seria realizada em duas etapas. Na primeira, o público poderia chegar a 17,5 mil torcedores e depois a 22.690 lugares cobertos.

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