Stefano Rellandini/Reuters
Stefano Rellandini/Reuters

Jonathan: 'Quem deve julgar é o Felipão, mas eu sempre sonhei com seleção'

Em boa fase na Inter de Milão, o lateral fala sobre as dificuldades que passou e a volta por cima

Vanderson Pimentel, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2013 | 14h20

SÃO PAULO - Há dois anos na cidade de Milão, o lateral-direito Jonathan passou por maus bocados na Itália. Após voltar de empréstimo do Parma, o jogador estava em campo pela Internazionale que terminou o último Campeonato Italiano na 9ª colocação, sendo muito criticado pela torcida e imprensa local. Porém, com a chegada do técnico Walter Mazzarri, o jogador recuperou o bom futebol e vem sendo essencial na campanha da  equipe nerazzurra, que está invicta (4 vitórias e 2 empates) no torneio nacional, ocupando a quarta posição.

Poupado no empate da Inter frente ao Cagliari, o lateral ex-Cruzeiro e Santos vai ser o titular neste sábado, contra a líder Roma, neste sabádo, às 15h45. Herói da Inter na partida contra a Fiorentina na quinta-feira passada, o jogador fala em entrevista exclusiva ao Estado sobre o seu bom momento, a ótima campanha que o clube vem fazendo até aqui e também sobre uma possivel vaga entre os selecionados de Luiz Felipe Scolari, na seleção brasileira.

Em 2011, Você chegou na Internazionale como uma espécie de 'Novo Maicon'. Como foi a sua adaptação na Itália?

JONATHAN - Meu primeiro ano foi muito difícil aqui. O (Gianpiero) Gasperini, treinador que me pediu foi mandado embora com 2 meses de trabalho. Daí entrou o Ranieri, com uma mentalidade completamente diferente e eu ainda tinha acabado de chegar. Tinha que me adaptar ao futebol e a língua italiana. Fui emprestado ao Parma, fiquei lá seis meses, onde fui muito bem, depois eu voltei e tive momentos de altos e baixos co o outro treinador que foi o Stramaccioni e agora estou tendo essa sequencia boa com o Mazzarri.

Apesar da equipe dessa temporada ser muito parecida com a que terminou 2012/2013 na 9ª nona colocação na passada, qual você acha que é a grande diferença?

JONATHAN - A princípio está mais ou menos como a do ano passado. Porque a Inter começou muito bem, igual a esse ano. Nós sabemos que isso não pode acontecer de novo, tanto é que muita gente pergunta se a Inter é um time que vai se consolidar no decorrer do campeonato. Nós acreditamos que sim, porque hoje temos outra filosofia de trabalho, um treinador que nunca deixa você achar que está bom.

Mesmo com várias especulações para a lateral-direita, o treinador Walter Mazzarri demostrou muita confiança em você. Vocês tiveram alguma conversa em especial

JONATHAN - Ele teve uma conversa comigo assim que ele chegou na Inter. Ele falou que sabia do meu potencial, que ia me dar confiança para jogar, porque ele sabia que os meus anos anteriores na Inter foram de muitas críticas. Ele está me passando confiança, as coisas estão acontecendo naturalmente e estou tendo a sequencia que eu sempre falei que um jogador precisa ter. Estou fazendo todos os jogos e da mesma forma que ele está confiando no meu trabalho, eu estou confiando no trabalho dele também.

Além de estar invicta no Campeonato, a Inter está jogando muito bem, com um elenco um pouco mais modesto do que em outras épocas.Dá para brigar pelo título?

JONATHAN - É muito cedo para falar de Scudetto, mas acho que a nossa equipe demonstra ser um time que está sempre buscando a vitória, jogando dentro ou fora de casa. Sem dúvida nenhuma, acho que dá para brigar pelo Scudetto sim, se vai ser campeã, se vai estar buscando Liga dos Campeões, eu ainda acho cedo. Assim como tambem acho cedo apontar um favorito, porque está muito embolado no início da tabela, mas sem duvida a Inter está entre os melhores times do campeonato.

Substituir um ícone do clube como o Javier Zanetti é uma responsabilidade grande. Ele falou algo para você?

JONATHAN - O Zanetti sempre foi um cara muito transparente, muito gente boa. Apesar de rápidas, sempre conversei muito com o Zanetti, e numa dessas conversas, ele me viu triste, cabisbaixo e ele falava para eu levantar a cabeça, que futebol é assim mesmo, que da mesma forma que eu estava sendo criticado, o meu momento iria chegar. E há pouco tempo ele chegou em mim e disse "está vendo Jonathan? Você batalhou por tudo aquilo que aconteceu e hoje está colhendo os frutos, porque voce nunca desanimou, sempre trabalhou sério, respeitando todo mundo".

Quando você chegou, a Inter tinha vencido a Liga dos Campeões há pouco tempo e conquistado vários campeonatos nacionais, mas o time foi piorando gradativamente. Como foi a reação da torcida?

JONATHAN - Foi algo muito dificil para a Inter, porque o time não conseguia resultado. Até começou bem, mas chegou num determinado momento em que a equipe começou a ter muitas derrotas e aí teve muitas críticas por parte da imprensa, e de muitos torcedores falando mal e colocando faixas. Mas esse ano, a torcida esta com a gente nos apoiando e até mesmo nos jogos fora a torcida está enchendo. Acho que esse é um novo ano tanto para os torcedores, como para a Inter, eles estão felizes pelo que estão vendo, e nós pelo que estamos desempenhando e também pelo comprometimento que deles com a gente.

A Inter está vivendo um periodo de troca de mandatários. Você e os outros jogadores estão antenados a isso?

JONATHAN - Eu particularmente estou tranquilo. Até que realmente aconteça essa negociação e que o (Erick) Thohir fale ser o novo presidente ou que virou sócio junto ao Moratti, eu continuo pensando que a Inter vai continuar da mesma forma, até porque ainda que não teve contrato nenhum assinado. A gente teve uma conversa com o presidente, numa reunião onde eu não posso expor o que foi dito, mas todos os jogadores estão tranquilos com o que está acontecendo ou pode acontecer.

A fase está boa, o Maicon sentiu uma lesão e tem uma vaga para a lateral-direta em aberto. Dá para pensar em seleção brasileira?

JONATHAN - Eu acredito que o Felipão me conheça, ate pelo tempo em que eu joguei no Cruzeiro e no Santos, Realmente estou fazendo bons jogos na Inter, mas está muito cedo para falar que eu vou para a seleção ou não. Quem tem que julgar isso é o Felipão, mas sonhar com a seleção eu sempre sonhei. Acho que minha melhor fase foi em 2009, mas não aconteceu. Estou tranquilo e tenho certeza que o Felipão está olhando os campeonatos aqui da Europa e se tiver que me convocar, vou ficar muito feliz, mas se caso não for dessa vez, vou continuar trabalhando firme para, se em outra situação, aproveitar da melhor maneira possivel.

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