Marcelo Cortes / Flamengo
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Robson Morelli
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Jorge Jesus quer o Flamengo, mas se for a seleção brasileira também serve

Segundo a imprensa portuguesa de meses atrás, treinador estaria de olho na vaga de Tite após a Copa do Mundo do Catar

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2022 | 11h32

Jorge Jesus comandou dois times fora de Portugal, como consta do seu perfil na internet: Al-Hilal e Flamengo. No Rio, fez história numa das cidades mais acolhedoras do mundo com seus personagens. Jesus foi um deles à frente do Flamengo. Deixou história e conquistas. Abraçou o Rio e foi abraçado pela cidade, pelos torcedores rubro-negros e pelos jogadores, os mesmos que estão no time ainda. Se tivesse de apontar um atleta dos que mais se beneficiaram da presença do Mister na Gávea, apontaria Gabigol, autor de dois gols na final da Libertadores contra o River Plate nos minutos finais, uma fez que o Flamengo perdia por 1 a 0.

Portanto, o Rio e o Brasil talvez tenham sido um dos lugares mais felizes profissionalmente para Jorge Jesus, tamanha sua vontade de voltar, derrubando barreiras profissionais e pulando a ética rasteira da profissão. Ele se ofereceu à diretoria do clube em reportagem de Renato Maurício Prado, do Uol. Combinado para estourar na mídia e ver o que dá? Pode ser. Aos 67 anos e com passagens por clubes de Portugal, Jesus sabe lidar com a mídia e suas consequências. Não tenho dúvidas de que ele sabia exatamente o que estava falando, mesmo com a presença de um jornalista no grupo. O próprio Renato disse que Jesus sabia que estava diante de um repórter.

Ele esteve no carnaval do Rio, em jogo do Botafogo, perambulando pela cidade e acenando aos fãs. Não está no Brasil por acaso. Sabe que parte da diretoria do Flamengo, parte da torcida e pode saber também de parte do elenco não está satisfeita com o treinador empregado no clube, Paulo Sousa. O tempo para fazer esse Flamengo jogar já deu. Então, as cobranças aumentaram. Jesus não é bobo.

O treinador sabe que há brechas para voltar e não vai perder a chance novamente, como ocorreu no fim do ano passado, em que ainda estava vinculado ao Benfica e havia uma multa rescisória de R$ 50 milhões. Ele tem informações e se beneficia da insatisfação com seu compatriota. Passa dos limites da ética e do respeito aos colegas de profissão. Mas se não aprendeu isso aos 67 anos, certamente vai levar seu jeito para o túmulo. Não aprende mais. Mas isso é um problema dele e do exemplo que dá para seus filhos.

O Flamengo, sim, tem a oportunidade de mostrar que aprendeu com essa história toda, e que está em outro patamar do condenado modus operandi do amadorismo do passado. Ou seja: vai dar de ombros para as declarações de Jesus porque tem um treinador contratado e empregado, em meio ao seu planejamento para esta temporada e para as próximas. Poderia, mas ainda não o fez. O silêncio do clube dá esperança a Jesus, que pediu uma oferta até o dia 20, e muitas incertezas sobre os pensamentos do clube.

O treinador português, de acordo com a mídia do seu país, também estaria rondando o Rio por outro motivo: encontrar uma porta de entrada na sede da CBF, para ocupar o cargo de Tite após a Copa do Mundo. Seu nome teria sido ventilado. A CBF não confirma. O processo está sendo pensado, mas não com tamanha urgência, até porque o escolhido hoje pode se dar mal na temporada e perder prestígio em dezembro, quando o novo nome deverá ser anunciado. Há, sim, um olhar para fora do Brasil em busca desse candidato. Jesus se coloca à disposição também, não tem nada a perder e não tem muitas outras portas abertas para o seu trabalho nesse momento.

O que parece é que Jorge Jesus aceitaria qualquer oferta no Brasil.

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