Juan Mabromata/AFP
Juan Mabromata/AFP

Jorge Sampaoli tem missão de encerrar jejum de 25 anos na Argentina

Técnico chegou à seleção como salvador da pátria e conseguiu classificar o time para a Copa do Mundo na última rodada das Eliminatórias

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2018 | 09h19

Após classificar a Argentina na última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas, na bacia das almas, o técnico Jorge Sampaoli fez uma declaração solene sobre o jejum de Lionel Messi na seleção. O jogador eleito cinco vezes o melhor do mundo nunca levantou um troféu pelo seu país. No Brasil, em 2014, a Argentina ficou em segundo na final contra a Alemanha. "Não é Messi que deve um Mundial à Argentina. É o futebol que deve uma Copa a Messi", declarou o treinador de 57 anos. 

+ Fernando Santos: O Engenheiro que sabe dominar Cristiano Ronaldo

+ Infográfico: Descobrindo a Rússia

Esse é o desafio que Sampaoli impôs a si próprio: fazer um acerto de contas com o passado, o presente e o futuro do futebol e dar a Messi a Copa do Mundo. O drama do craque argentino está circunscrito na angústia da nação, que não conquista nada no futebol mundial há 25 anos. O último troféu foi o da Copa América de 1993, quando o time ainda tinha Gabriel Batistuta. Tudo isso está nas costas de Jorge Luis Sampaoli Moya. 

Os argentinos acreditam que ele consegue suportar o peso. O técnico chegou à seleção como salvador da pátria. O time penava em uma das piores campanhas de sua história nas Eliminatórias e já havia descartado dois técnicos (Martino e Bauza). 

Sampaoli trazia um currículo vistoso. Sua ascensão começou na Universidad de Chile, onde conquistou quatro títulos consecutivos. Foi sua carta de recomendação para dirigir a seleção chilena. Após ser eliminado nos pênaltis nas oitavas de final da Copa no Brasil, em uma partida em que amassou os donos da casa, de Thiago Silva e Neymar, e acertou uma bola na trave no fim da prorrogação, o treinador conseguiu a glória de levar o Chile à sua primeira conquista internacional: a Copa América de 2015. Virou um semideus. 

Sampaoli não tem apenas títulos, mas uma aura, uma mística. Discípulo de Marcelo Bielsa, ele herdou a obsessão pelo estudo do adversário, a ponto de tentar prever o que vai acontecer taticamente no confronto. “El Loco” é sua inspiração declarada em vários aspectos: o gosto pelo futebol ofensivo, um estilo de jogo dinâmico e intenso, com marcação na saída de bola do oponente, uso constante das triangulações, principalmente pelos lados do campo. E verticalidade. O Chile de Sampaoli espremia o rival na defesa até ele confessar e se entregar.

Ele não teve tempo de impor sua filosofia nas Eliminatórias. O desafio era classificar a Argentina, e ele chegou em setembro. Levou o jogo contra o Peru para La Bombonera, chamou jogadores de Boca Juniors e River Plate, barrou o "craquinho" Dybala e, com três gols de Messi na última rodada, chegou à sua primeira Copa do Mundo. 

Admirado pelo conhecimento profundo de esquema e estratégias táticas, Sampaoli precisa agora domar o temperamento, outro traço de sua mística. Em dezembro, humilhou um policial em uma blitz. Disse que ele ganhava "100 pesos por mês", o que dá menos de R$ 20. A cena ganhou as redes sociais e muita gente pediu sua demissão, até mesmo setores da influente imprensa argentina. No dia seguinte, ele se desculpou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.