Jornal denuncia trabalho escravo em obras da Copa do Mundo no Catar

Operários envolvidos em obras para o Mundial de 2022 estariam trabalhando em condições precárias

Renan Araújo - especial para O Estado de S. Paulo,

06 de abril de 2014 | 21h23

SÃO PAULO - O jornal britânico Daily Record realizou, na edição desse domingo, mais uma denúncia referente às condições dos operários que trabalham nas obras dos estádios, hotéis e rodovias visando à preparação do país Copa do Mundo do Catar de 2022.

Segundo a reportagem, há casos de morte por ataque cardíaco e imigrantes trabalhando até a exaustão sob temperaturas que ultrapassam os 40 ºC. Seus passaportes também teriam sido confiscados pelas construtoras, o que os impede de retornar aos seus países de origem. Além disso, alguns também reclamam que não vem recebendo salários. A publicação afirma que até um milhão de trabalhadores vindos de locais como Sri Lanka, Nepal e Bangladesh estão submetidos a condições análogas à escravidão.

O Daily Record visitou os alojamentos onde vivem os trabalhadores e denunciou que os banheiros estão em péssimas condições, o cheiro de esgoto é constante e que muitos utilizam água salgada para beber, tomar banho e lavar roupas. De acordo com a publicação, os trabalhadores não teriam acesso ao rádio, TV e internet e também não haveria um local adequado para o armazenamento de alimentos.

Na última quarta-feira, o governo do Catar se pronunciou e insistiu que os trabalhadores vem sendo tratados "muito bem" e que houve uma "grande melhora" nas condições de trabalho nos últimos meses. A Fifa não se pronunciou sobre o assunto, mas vem sendo pressionada a tomar providências. No último dia 18 de março, o membro do Comitê Executivo da Fifa, Theo Zwanziger se reuniu com representantes da Federação Internacional de Trabalhadores da Construção Civil para debater o assunto e realizar mudanças. A entidade já descartou a hipótese de que a Copa não seja realizada no país.

HISTÓRICO

Essa não é a primeira denúncia referente às más condições de trabalho no país asiático. A primeira delas foi feita ao jornal grego Avgi em fevereiro do ano passado, em entrevista da secretária-geral da Confederação Sindical Internacional Sharan Burrow. Ela afirmou que "a maneira como o Catar encara a situação dos trabalhadores imigrantes é uma vergonha para o futebol".

No dia 18 de fevereiro deste ano, o jornal inglês The Guardian confirmou, por meio da embaixada da Índia no país, que 502 indianos já morreram no país nos últimos dois anos. Além disso, outros 382 nepaleses vieram a óbito no mesmo período, sendo que dois terços das mortes teriam acontecido por acidentes de trabalho ou parada cardíaca. Os números teriam crescido devido ao aumento no número de obras de infraestrutura realizadas no país. Em denúncia anterior, de setembro do ano passado, a mesma publicação afirmou que 30 nepaleses teriam procurado a embaixada do país em Doha, capital do Catar, para escapar das más condições de trabalho.

Já no último dia 31 de março o jornal inglês Mirror denunciou que 1200 operários da Copa de 2022 já morreram no Catar devido a condições desumanas de trabalho. Eles seriam mantidos em regime de escravidão, com direito a agressões. A estimativa da Secretaria Internacional do Trabalho é de que até o início da competição até 4 mil operários poderão morrer por conta das más condições de trabalho.

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