Jornalista do 'Estado' lança livro sobre os bastidores da organização da Copa

Jamil Chade, que realiza a cobertura da Fifa há 14 anos, traz detalhes da preparação do País e da relação com a entidade

O Estado de S. Paulo

28 de março de 2014 | 07h00

SÃO PAULO - "A grande vantagem dessa Copa é que ela vai ser 100% privada e não terá um centavo de dinheiro público". A frase do então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foi dita em julho de 2007 ao jornalista Jamil Chade, correspondente do Estado em Zurique, onde fica a sede da Fifa. Quase sete anos depois, a promessa não cumprida do dirigente se transformou no pontapé inicial de um livro que traz os detalhes da organização do País para a Copa do Mundo de 2014.

O lançamento do livro "A Copa como ela é" será nesta sexta-feira, em São Paulo, na livraria Saraiva do Shopping Eldorado. O evento contará com a presença do jornalista Juca Kfouri, colunista da Folha de S.Paulo, que, ao lado de Jamil Chade, debaterá o assunto no evento. "O livro tenta esclarecer o que foi a preparação do Brasil para Copa. E o fato de que ela durou dez anos, pois o Brasil era o único candidato desde 2003", ressalta Jamil Chade, que faz a cobertura da Fifa há 14 anos.

Para o jornalista do Estado, o fato de o Brasil não ter concorrentes na escolha da Fifa contribuiu para os atrasos das obras. "Foi o maior pecado, pois o País não precisava ter nada pronto. A Copa já era do Brasil. O País ganhou a Copa, mas faltava tudo, inclusive um orçamento", relembra o repórter, que em 2013 foi escolhido pela Associação dos Cronistas do Estado de São Paulo (Aceesp) o repórter do ano.

PREPARAÇÃO

Em cinco capítulos, Jamil Chade conta detalhes dos bastidores da preparação brasileira e da relação do País com a Fifa. "A promessa de que a Copa transformaria o País não aconteceu. O Brasil recebe a Copa, mas não utiliza a Copa para se transformar."

A obra relembra qual era o cenário quando o Brasil foi escolhido o país-sede da competição, em outubro de 2007. Além disso, compara o legado de alguns megaeventos, como a Olimpíada de 1992, em Barcelona, e 2004, em Atenas. A corrupção na Fifa também é abordada, assim como o questionamento do número de cidades-sede do Mundial.

Por fim, o livro de Jamil Chade explica por que a Copa do Mundo de 2014 já chegou ao fim. "Não há um legado real para a sociedade. O único legado está ligado ao fato de que a população brasileira se conscientizou disso, de que não haverá legado. Há uma consciência social de que a Copa foi desperdiçada."

Para o jornalista, o Mundial no Brasil pode mudar as atitudes em relação à escolha das sedes. "O futuro das Copas do Mundo pode ser profundamente afetado com a Copa no Brasil, sobretudo na forma com que a Fifa vai considerar as novas candidaturas", ressalta Jamil. Vale lembrar que a Fifa já definiu que o Mundial de 2018 será na Rússia, e a de 2022, no Catar.

O livro "A Copa como ela é", da Companhia das Letras, estará disponível para a compra somente em e-book nesse momento, com 90 páginas. Ele custará R$ 6,90 e pode ser adquirido no iTunes, na Amazon, na Companhia das Letras e Saraiva. Em breve, a obra de Jamil Chade terá sua versão impressa e ampliada.

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